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2 mil garoupas são soltas em Santuário Ecológico Marinho de Ilhabela

Este ano já foram 10 mil peixes levados para o mar pela Associação Ambientalista Terraviva (Atevi). Última soltura de 2019 foi realizada na quarta-feira (15)

Sabrina Rodrigues ·
16 de maio de 2019 · 3 anos atrás
As garoupas sendo transportadas para serem soltas no Santuário Ecológico Marinho da Ilha das Cabras, em Ilhabela. Foto: Claudia Kerber.

Com bolo e pães de queijo assados na hora, a Associação Ambientalista Terraviva (Atevi), através do Projeto Garoupeta, preparava-se para a soltura de 2 mil alevinos de garoupa-verdadeira (Epinephelus marginatus) e comemorar. O tão esperado e bem-sucedido acontecimento ocorreu, na quarta-feira (15), na Praia de Portinho, Santuário Ecológico Marinho da Ilha das Cabras, Ilhabela, no norte de São Paulo.

Foram 120 dias de preparo no laboratório de produção de alevinos montado na região sul de Ilhabela, com equipe formada de veterinários, biólogos, mergulhadores e técnicos em aquicultura. O espaço é referência para vários países e universidades.

Os alevinos foram direto para as tocas. Foto: Claudia Kerber.

De acordo com a presidente da Atevi e veterinária responsável, Claudia Kreber, a produção de alevinos em laboratório é fundamental para garantir a sobrevivência da espécie, fornecendo formas jovens para aquicultura e repovoamento em locais onde já desapareceu ou onde suas populações estão comprometidas.

Claudia Kreber destaca ainda que as garoupas têm crescimento lento e podem chegar até 50 quilos aos 50 anos de vida. Foram anos de estudo e preparação, desde a produção dos alevinos em cativeiro – comum em água doce e rios, mas inédito com garoupas no Brasil -, até o levantamento das áreas adequadas para garantir a sobrevivência e reprodução dos peixes no mar.

Dez mil garoupas

Essa é a última soltura de garoupas de 2019. Este ano já foram soltos 10 mil peixes e em 2020 serão mais 10 mil.

A transferência dos peixes começou às 9h da manhã, através da embarcação de nome Netuno — o deus romano dos oceanos. O Netuno partiu em direção ao local de soltura com profissionais experientes e convidados a bordo como a equipe do canal de televisão NatGeo.

Antes da soltura foram realizados mergulhos de reconhecimento do lugar para garantir que os peixes fossem direto para as tocas, o que ocorreu com êxito.

As garoupas serão monitoradas a cada 60 dias, por 2 anos. Os peixes foram marcados geneticamente para garantir o acompanhamento. “Vamos manter o monitoramento até a fase de maturidade sexual, período em que se inicia a nova geração de filhotes”, explica Cláudia Kerber.

A garoupa-verdadeira (Epinephelus marginatus) figura na lista vermelha de espécies ameaçadas da IUCN e está classificada como Vulnerável. A garoupa é uma espécie de grande influência e importância na saúde dos ambientes de corais da região, e investir no seu repovoamento é também uma maneira de gerar benefícios ao ecossistema marinho de modo geral.

Foto: Claudia Kerber.

 

Equipe da qual a veterinária Claudia Kerber é responsável. Foto: Claudia Kerber.
Foto: Claudia Kerber.

 

Equipe do canal NatGeo. Foto: Claudia Kerber.

 

Foto: Claudia Kerber.

 

A veterinária e presidente da Associação Ambientalista Terraviva (Atevi), Claudia Kerber. Foto: Claudia Kerber.

 

 

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 1

  1. Elza diz:

    Achei a ideia genial! Gostaria de saber se é possível incentivar a volta de borboletas, pq noto que na cidade não se vê e mesmo na mata atlântica desapareceram? Obrigada