
A pesquisa revela que, em geral, a opinião pública tem forte preocupação pela conservação das florestas. A maioria dos entrevistados discorda do texto aprovado pelos deputados por ampla vantagem de votos (410 contra 63). De acordo com o instituto, o resultado constatado foi relativamente homogêneo entre as diferentes regiões e classes de renda, com diferenças pouco expressivas.
Veja quem votou a favor e quem votou contra o Código Florestal na Câmara dos Deputados
A porcentagem dos brasileiros que discordam da proposta varia entre 77% (a favor do adiamento do debate para ouvir a ciência) e 95% (que não aceitam manter as ocupações em Área de Preservação Permanente). Para 85%, a legislação deve priorizar, acima de tudo, a proteção das florestas e dos rios, ainda que isso prejudique a produção agropecuária.
No caso da ocupação das Áreas de Preservação Permanente (encostas, topos de morro, várzeas, etc.), 66% defendem que apenas as culturas que fixam o solo devem ser mantidas, e 25% são a favor de retirar todos os cultivos das APPs. Somente 7% dos brasileiros apoiaram a proposta aprovada pelos deputados, de manter todos os tipos de cultivos. Sobre a Reserva Legal, 77% se declararam contra a dispensa da reposição da floresta; com 21% que a admitem.
Contra a anistia

Com relação ao polêmico ponto da anistia a desmatadores, 79% dos entrevistados se declaram contra perdoar penalidades e multas (apenas 19% alegaram aceitar a possibilidade). Meros 5% escolheram a opção de perdoar sem repor a floresta, objeto da proposta votada pela Câmara.
Uma significativa parcela de 84% afirma que não votaria em deputados que tenham votado a favor do perdão de desmatamento ilegal. Quanto ao esperado veto presidencial, no caso de o Senado validar a proposta da Câmara, 79% declararam apoio a Dilma.
Para os ambientalistas, a rejeição no resultado é conseqüência da campanha extremada das lideranças ruralistas, e representa a atitude que os senadores agora têm de tomar: ouvir a voz do povo. Para Márcio Santilli, do Instituto Socioambiental (ISA), “se a presidente Dilma ainda tinha alguma dúvida, agora sabe que conta com o apoio de quatro em cada cinco brasileiros”.
A expressiva cobertura e divulgação na mídia sobre a votação fez com que quase dois terços da população (62%) declarassem ter tomado conhecimento da votação, embora a parcela que se declara bem informada seja modesta, o que reflete a complexidade do tema.
Trata-se de uma pesquisa com abrangência nacional, incluindo áreas urbanas e rurais. A solicitação foi feita pelas organizações Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), ISA, SOS Mata Atlântica e WWF-Brasil. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
{iarelatednews articleid=”25114,24979,25096,25113″}
Saiba mais
“O Código Florestal e a Ciência: contribuições para o diálogo”
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Brasil deve reforçar planejamento para enfrentar novo ciclo de El Niño e eventos extremos
Independentemente de partidos, ideologias ou preferências pessoais, candidatos precisam compreender que a adaptação às mudanças climáticas deixou de ser apenas uma questão ambiental →
Um Dia no Parque: mais de 300 áreas protegidas abrem as portas no próximo final de semana
Com atividades gratuitas, programação do evento que celebra unidades de conservação do país inclui desde visitas guiadas, observação de aves e palestras até práticas esportivas →
Revisar a CONAMA 430 é proteger a água, a vida e o futuro
A sociedade espera uma norma mais moderna, mais transparente e mais protetiva. Não podemos permitir que interesses econômicos comprometam a qualidade das águas e a saúde das futuras gerações →
