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Mato Grosso: Comitê organiza ativismo contra agrotóxicos

Movimentos sociais criam um grupo permanente para denunciar o impacto negativo dos agrotóxicos e mudar a ênfase para a agroecologia

Dafne Spolti ·
30 de junho de 2011 · 11 anos atrás
Plantação de soja – uma das culturas com maior utilização de agrotóxico depois do algodão. Foto: Olmo Calvo Rodríguez.

Nesta quarta-feira (29), o Comitê Permanente Estadual Contra os Agrotóxicos e Pela Vida de Mato Grosso, formado e idealizado por movimentos sociais e organizações como o Fórum Matogrossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e o Grupo de Intercâmbio em Agricultura Sustentável (Gias), fez sua primeira reunião, realizada na secretaria do MST, em Cuiabá, para organizar os futuros trabalhos em defesa da produção agrícola sem agrotóxico.

A criação do comitê é uma resposta à campanha estadual contra os agrotóxicos, lançada em junho, e à campanha nacional, que foi lançada no Dia Mundial da Saúde (7 de abril) por mais de 30 entidades da sociedade civil, como sindicatos, pastorais, organizações ambientais, e da saúde. As duas campanhas, nacional e estadual, são iniciativas da sociedade civil organizada, formada por militantes. Não são, portanto, iniciativas do poder público.

Para desenvolver os trabalhos contra os biocidas, o comitê estadual de Mato Grosso começa a se organizar nas quatro frentes da campanha nacional: construção com a sociedade; ensino e formação técnica; construção com a base da militância e agricultores, além do eixo jurídico e legislativo.

Na reunião inicial, foi definido que o comitê irá debater o assunto com a sociedade matogrossense, tanto das cidades como do campo – agricultores, indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Para isso, irá se articular com militantes de municípios em todas as regiões, englobando os três biomas do estado: Colíder (Amazônia), Lucas do Rio Verde (Cerrado e Amazônia), Cáceres (Cerrado, Amazônia e Pantanal), Chapada dos Guimarães e baixada cuiabana (Cerrado), Tangará da Serra (Cerrado e Amazônia) e Rondonópolis (Cerrado). Esses municípios devem organizar comitês regionais descentralizando a campanha da capital, Cuiabá.

Entre as decisões, destacam-se ainda a organização de atividades em escolas – com estudantes e professores, que podem se capacitar e discutir o assunto com regularidade; a divulgação e a denúncia de impactos ambientais; e o apoio ao movimento estudantil, principalmente quando cobrarem maior valorização da agroecologia nas pesquisas realizadas pelas universidades e reversão do foco do agronegócio para agroecologia no ensino.

O Agrotóxico na Amazônia

Imagem: Reprodução.

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e Mato Grosso o maior consumidor do país. O estado produz metade do algodão das terras brasileiras, a planta em que há maior utilização desses venenos. De 20 a 25 litros por hectare, como explica o médico Wanderlei Pignati, professor do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Esse veneno do algodão, do soja, do milho, da monocultura de Mato Grosso vai para as bacias de rios, entre elas, a Amazônica. Segundo o professor Pignati, isso causa consequências para a vida humana, animal e vegetal. Um dos principais problemas é a intoxicação crônica, ou seja, pequenas doses que são absorvidas durante um longo período. Pode causar “grande prejuízo à saúde humana e dos animais como câncer, má formação, desregulação endócrina e problemas neurológicos”, esclarece.

Acesse o portal da Campanha Nacional Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

 

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