Notícias

Um terço dos peixes cartilaginosos do Brasil estão ameaçados

Pelo menos 35% das 169 espécies de tubarões, arraias e quimeras encontradas no Brasil estão sob risco de extinção, segundo o ICMBio.

Vandré Fonseca ·
7 de julho de 2011 · 15 anos atrás
O Cação-anjo (Squatina squatina) está sendo pescado até próximo da extinção. foto: Philippe Guillaume
O Cação-anjo (Squatina squatina) está sendo pescado até próximo da extinção. foto: Philippe Guillaume
Pelo menos 35% das 169 espécies de peixes cartilaginosos (tubarões, arraias e quimeras) encontradas no Brasil estão ameaçadas de extinção, segundo uma avaliação realizada pelo Instituto Chico Mendes. Duas espécies já podem estar regionalmente extintas e 60 enfrentam algum tipo de ameaça. Como os dados ainda serão validados antes de ser publicados na revista eletrônica “Biodiversidade Brasileira”, ainda não foi divulgada a lista das espécies consideradas ameaçadas pela avaliação.

A coordenadora de Avaliação do Estado de Conservação da Biodiversidade (Coabio), Mônica Brick Peres, considera o resultado péssimo. De acordo com ela, o número de espécies ameaçadas pode chegar a mais de 75%, se forem consideradas aquelas cujas informações são insuficientes para a classificação “A pesca excessiva e não regulamentada foi, e continua sendo, a maior ameaça para esse grupo nas águas brasileiras”, afirma. Ela compara os dados ao número de aves ameaçadas em todo o mundo. Um estudo recente calculou que 20% das espécies de aves do planeta estão ameaçadas de alguma maneira, um número considerado alto.

“Pescarias importantes no passado estão hoje colapsadas, como a pesca de cação-anjo, do cação-bico-doce, entre outras”, destaca a coordenadora da Coabio. “Apesar de muitas espécies já constarem em listas oficiais de espécies ameaçadas, elas continuam sendo ameaçadas pela captura acidental em diversas pescarias ao longo da costa brasileira”, completa.

O estudo avaliou 169 espécies. Além das extintas regionalmente, 29 foram classificadas como “Criticamente em Perigo” (CR), sete “Em Perigo” (EN) e 20 “Vulnerável” (VU). Apenas 31 foram avaliadas como “Menor Preocupação” (LC) e 16 como “Quase Ameaçada” (NT). Mas para 59 espécies não existem dados suficientes para a classificação.

Os peixes cartilaginosos formam a classe Chondrichthyes e vivem principalmente em águas marinhas, mas existem também espécies de arraias de água doce. Entre eles, muitos têm uma vida longa e mortalidade natural bastante reduzida, mas também possuem baixa fecundidade e pouca capacidade de reposição populacional. Além disso, na época da reprodução, se agregam em locais definidos. “Tudo isso os torna muito vulnerável à pesca”, lamenta Mônica.

{iarelatednews articleid=”12786,23282,24756 “}

 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
17 de agosto de 2026

Vote pelo Clima aproxima eleitores de candidaturas com compromisso climático

Nova edição da plataforma reúne propostas em vinte temas da agenda climática, como meio ambiente, saúde, educação, energia renovável, transporte e mobilidade. Veja como usar a ferramenta

Reportagens
17 de agosto de 2026

Rastreabilidade da soja e da carne esbarra na falta de integração

Estudo do WRI Brasil analisou 21 iniciativas no país e defende um protocolo nacional para conectar sistemas e critérios

Colunas
17 de agosto de 2026

Virginia pega um jatinho para treinar, mas quem precisa salvar o planeta é você

Um único trajeto de jato privado pode emitir, em pouco mais de uma hora, mais dióxido de carbono do que uma pessoa média emite em um ano

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.