A declaração do senador Eduardo Braga (MDB-AM) sobre a ação que suspendeu temporariamente quatro pregões do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para obras no chamado “trecho do meio” da BR-319 provocou reação da advogada Moara Silva Vaz de Lima, filha da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. Em manifestação pública nesta quarta-feira (29), ela negou qualquer vínculo com a ação civil pública movida pelo Laboratório do Observatório do Clima e cobrou retratação do parlamentar.
Durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na terça-feira (28), Braga questionou a suspensão dos certames e afirmou, sem apresentar evidências, que um escritório ligado à advogada estaria relacionado à ação judicial. O trecho foi divulgado pelo próprio senador em suas redes sociais. “Uma coisa está me chamando muito a atenção. É que o escritório de advocacia contratado pelo Observatório do Clima tem como uma das sócias a filha da ministra Marina Silva”, afirmou o senador.
A ação civil pública foi protocolada pelo Observatório do Clima dias antes da decisão liminar e sustenta que as licitações avançam sobre uma obra considerada de significativo impacto ambiental sem o licenciamento exigido pela legislação. O processo é conduzido pelo advogado Paulo Eduardo Busse Ferreira Filho, que representa o Observatório do Clima em outras ações judiciais. Na noite de terça-feira (28), o TRF1 cassou a decisão da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas e liberou licitações da BR-319.
Em publicação nas redes sociais, Moara Silva rebateu as declarações e atribuiu a fala do senador a uma tentativa de responsabilizar terceiros pela paralisação das obras. “Não aceitaremos mentiras. Não aceitaremos intimidação à nossa profissão. E eu não aceitarei ser usada em uma estratégia suja que, com mentiras, tenta me atingir no meu lugar de filha para alcançar uma mãe”, escreveu.
A advogada também negou que o escritório Lopes Ormay Jr & Silva tenha sido contratado pelo Observatório do Clima para qualquer atuação jurídica no caso e classificou a associação feita por Braga como desinformação. Em nova manifestação, afirmou: “É lamentável, mas não surpreendente que o instrumento de trabalho do senador Eduardo Braga seja a propagação de mentiras para intimidar e atacar”.
Em nota, o escritório declarou que “os ataques infundados e tentativas de intimidação não serão aceitos sem o devido e necessário esclarecimento, pois a mentira não pode prevalecer sobre os fatos e a integridade profissional”. Até a publicação desta nota, não havia manifestação pública do senador sobre o pedido de retratação, todavia, em suas redes sociais, o senador afirmou que irá protocolar uma denúncia ao Ministério Público para investigar o uso de recursos por ONG’s, alegando que as entidades “tentam impor barreiras ao desenvolvimento do Amazonas e travar a BR-319”. Braga também afirmou ser alvo de ataques.
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