Notícias

Lei Municipal proíbe pequenas hidrelétricas no Rio Pardo

Campanha da ONG Rio Pardo Vivo consegue mobilização política e oficializa a não instalação de pequenas centrais hidrelétricas no rio, em SP.  

Flávia Moraes ·
5 de agosto de 2011 · 15 anos atrás

Flávia Moraes

Trecho do Rio Pardo onde seriam construidas PCHs. Crédito: Cavalchuki
Trecho do Rio Pardo onde seriam construidas PCHs. Crédito: Cavalchuki
A ONG Rio Pardo Vivo, com o apoio do Conselho Missionário Diocesano (COMIDI) de Ourinhos – São Paulo, venceu a luta contra a construção de nove pequenas centrais hidrelétricas previstas para o trecho do Rio Pardo que banha o município de Santa Cruz do Rio Pardo. A publicação da Lei Municipal n°2.526, de 29 de julho de 2011, marca essa conquista ao declarar o trecho do rio que banha o território municipal como patrimônio cultural, paisagístico, ecológico e turístico do Município. (Veja a Lei assinada aqui).

Em junho, ((o)) Eco acompanhou a mobilização da comunidade local para preservar o seu curso d’água livre de barragens, inclusive a participação ativa do padre Giovanni Bruno (veja a matéria publicada), que agora comemora o resultado. “A ONG Rio Pardo Vivo liderou uma maravilhosa obra de sensibilização envolvendo o setor de educação municipal, as comunidades religiosas, os comerciantes e ruralistas locais, assim como grupos de ecologistas e cientistas. O sancionamento e publicação da Lei revela a força desse trabalho feito em conjunto”, declara o padre.

Em material enviado pela ONG, destaca-se como finalidade das comunidades da bacia do Rio Pardo não somente dizer não ao impacto socioambiental que as hidrelétricas podem causar, mas buscar a valorização do rio para atividades de lazer e culturais. A ideia de organizar um circuito turístico no local é uma opção que pode resultar em mais renda do que a pouca energia prevista pelas hidrelétricas. Outra motivação da campanha foi propor uma alternativa energética que a região já tem (a biomassa) e promover outras fontes que não destruam ou cimentem o patrimônio natural existente. Além de evitar a expropriação dos mais de 150 proprietários das terras no entorno do rio.

Para o padre Giovanni, a vitória em Santz Cruz representa um exemplo para outros municípios brasileiros. “Essa experiência pode ser repetida por outras cidades que sofrem o assédio de construtoras para instalar barragens em seus cursos d’água, seja dentro do Estado de São Paulo, seja em outros locais. Talvez a maioria dos municipios atingidos fiquem calados pelo jeito como os projetos são apresentados, sem dar tempo e oportunidade para discutir e organizar mobilizações. A luta ao redor de Belo Monte e do Código Florestal calaram a voz do povo, convencido de que não adianta protestar contra o que o Governo planejou dentro dos PACs [Plano de Aceleração do Crescimento]. Mas nós mostramos que é possível e não se deve desistir!”, conclui.

Saiba mais:
Hidrelétrica dentro de Raposa Serra do Sol

{iarelatednews articleid=”25147″}
 

  • Flávia Moraes

    Jornalista, geógrafa e pesquisadora especializada em climatologia.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
17 de agosto de 2026

Vote pelo Clima aproxima eleitores de candidaturas com compromisso climático

Nova edição da plataforma reúne propostas em vinte temas da agenda climática, como meio ambiente, saúde, educação, energia renovável, transporte e mobilidade. Veja como usar a ferramenta

Reportagens
17 de agosto de 2026

Rastreabilidade da soja e da carne esbarra na falta de integração

Estudo do WRI Brasil analisou 21 iniciativas no país e defende um protocolo nacional para conectar sistemas e critérios

Colunas
17 de agosto de 2026

Virginia pega um jatinho para treinar, mas quem precisa salvar o planeta é você

Um único trajeto de jato privado pode emitir, em pouco mais de uma hora, mais dióxido de carbono do que uma pessoa média emite em um ano

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.