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Criatura da noite: o Curiango-comum

O dia não é para ele. Nosso homenageado prefere dormir enquanto o sol trabalha, para melhor aproveitar a noite. Foto: Adilson Borges.

Rafael Ferreira ·
1 de fevereiro de 2013 · 10 anos atrás
O curiango dorme numa confortável cama de folhas secas. Foto: Adilson Borges
O curiango dorme numa confortável cama de folhas secas. Foto: Adilson Borges

Não são só morcegos e corujas que povoam os céus das matas brasileiras à noite. Nas bordas de florestas, nas capoeiras abertas, nos cerrados, nos capões, vive o curiango-comum (Nyctidromus albicollis), uma ave tão ubíqua que não só parece estar em todo lugar, como também parece ter ganho todos os nomes: curiango, ju-jau, amanhã-eu-vou (em Minas Gerais), ibijau, mede-léguas, acurana e a-ku-kú (no Mato Grosso), coriavo, engole-vento (Pernambuco), joão-corta-pau e mariangu. Notívago, é um exímio caçador de insetos – que devora aos montes enquanto voa com o bico aberto -, atividade que o ocupa até o amanhecer.

Durante o dia, é muito difícil visualizá-lo. Se espantado, voa curtas distâncias e logo volta a sumir em meio à vegetação rasteira. Procurado, se camuflar nas folhagens do chão da mata. Seus ninhos são colocados diretamente no solo, para manter esta camuflagem. E, neles, tudo contribui para esta “invisibilidade”: a fêmea põe 2 ovos amarelo-avermelhados manchados de marrom. Os filhotes também possuem uma coloração muito semelhante à da folhagem seca. E quando os pais abandonam o ninho, repetindo instintivamente a lição dos mais velhos, ficam completamente imóveis.

O curiango mede cerca de 30 centímetros de comprimento. Em vôo, o macho apresenta uma larga faixa nas asas e os lados da cauda brancos. A fêmea possui uma estreita faixa amarelada nas asas e somente a ponta da cauda branca. O casal se reveza nos cuidados da prole.

Como toda criatura noturna que se preze, o curiango é envolto em folclore. Luís da Câmara Cascudo, historiador, antropólogo e pesquisador da cultura brasileira, na sua obra, o Dicionário do Folclore Brasileiro (1952), conta o uso do curiango como amuleto: as penas de suas asas curam dor de dente e outras dores; se colocadas entre a manta e sela, fazem com que o cavalo não caia nem que salta rio cheio. Segundo o autor, por passar a noite pelos caminhos, com olhos acesos, contando as léguas, ganhou o nome popular de mede-léguas. “É dizendo e bacurau escrevendo”, é expressão que indica a uma verdade sem sombra de dúvidas.

A espécie está bem distribuída e abundante desde o Sul do México até o Nordeste da Argentina. Não apresenta risco de extinção, merecendo uma classificação de Pouco Preocupante (Least Concern) junto à lista vermelha do IUCN. Felizmente, ao que parece, o curiango-comum vai continuar comum por muito tempo.

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