Notícias

Nos jardins, nas matas e, em breve, apenas na memória

A Actinote zikani, como todas as borboletas, é um popular símbolo de transformação, de um novo começo. E pode estar diante do fim.

Redação ((o))eco ·
12 de abril de 2013 · 9 anos atrás

Actinote zikani. Foto: André Freitas / Laboratório de Borboletas da Unicamp
Actinote zikani. Foto: André Freitas / Laboratório de Borboletas da Unicamp

Em setembro de 2012, durante o Congresso Mundial sobre Conservação, a União Mundial para Conservação da Natureza (IUCN) lançou o livro “Inestimável ou Inútil?” (‘Priceless or Worthless?’, no original) com informações sobre 100 das espécies mais ameaçadas do planeta. O livro é um alerta para uma perigosa tendência de conservação que deixa em último plano espécies incluídas na lista porque não fornecem aos humanos benefícios evidentes. O Brasil participa com 5 espécies e, dentre elas, está a homenageada desta semana: a borboleta Actinote zikani.

A A. zikani é uma espécie de borboleta pertencente à família Nymphalidae, subfamília Heliconiinae e gênero Actinote, endêmica do Brasil. Só pode ser encontrada em uma área pequena da Serra do Mar (Mata Atlântica), próxima ao município de Paranapiacaba /SP, que é um dos únicos locais que lhe oferece proteção e sustento, já que sua planta de alimento larval é a trepadeira Mikania obsoleta, que tem área de distribuição e necessidades ecológicas similares às suas.

Graças ao avanço das pesquisas em Biologia da Conservação, as borboletas conquistaram um lugar de destaque como indicadores biológicos, sendo usadas em diagnósticos rápidos, estudos comparativos, relatórios de impacto ambiental e monitoramento: são sensíveis às mudanças ambientais, mesmo que muito sutis. Esta vantagem, porém, também é sua fraqueza, uma vez que são afetadas pela redução das matas ciliares e grandes alterações nas áreas de florestas de altitude, além de alterações na paisagem regional, severamente modificadas pelo histórico desmatamento e degradação dos habitats nacionais.

No Brasil, a espécie foi declarada como criticamente em perigo pelo Ministério do Meio Ambiente. Em trabalho que discute como as mudanças propostas no Código Florestal Brasileiro podem afetar as borboletas do Brasil, o professor e pesquisador da Unicamp, André Freitas, sugere a criação de reservas naturais para abrigar as espécies, já que, sem dúvidas, a maior ameaça às borboletas é a destruição do habitat natural com o desmatamento.

 

Saiba Mais
Livro ‘Priceless or Worthless?’ (Leitura online. Inglês)
FREITAS, André Victor Lucci. Impactos potenciais das mudanças propostas no Código Florestal Brasileiro sobre as borboletas. Biota Neotrop., Campinas, v. 10, n. 4, Dec. 2010 .

Leia Também
Pica-pau-dourado-escuro: o primo brasileiro
Um macaco sem galhos: guariba-de-mãos-ruivas
Mero, o Senhor das Pedras

 

 

 

Leia também

Salada Verde
21 de outubro de 2021

Polícia Civil do Maranhão prende um dos homens que matou onça preta e se gabou nas redes sociais

Corpo do animal abatido foi filmado por três homens, que comemoraram o feito. O homem preso também será multado pelo Ibama.

Reportagens
21 de outubro de 2021

COP26 – Brasil tentou minimizar impacto das emissões da pecuária em relatório do IPCC

País também defendeu que aumento do desmatamento não é resultado da política atual brasileira. Outros países fizeram lobby para mudar relatório climático.

Reportagens
21 de outubro de 2021

Estudo aponta diretrizes para barrar a degradação acelerada de campos e savanas

As chamadas grasslands estão ameaçadas em todo o planeta, alerta um grupo internacional de pesquisadores. Solução envolve restauração e busca de alternativas de exploração econômica sustentáveis

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta