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Mais espécies em risco na Mata Atlântica

Pesquisadores concluíram que fragmentação severa do habitat na Mata Atlântica ameaça mais espécies do que conta na Lista Vermelha da IUCN.

Vandré Fonseca ·
7 de junho de 2013 · 8 anos atrás
Choquinha-asa-ferrugem (Dysithamnus xanthopterus), fotografada em Monte Verde, é uma das espécies que não aparecem como ameaçadas na lista da IUCN, mas de acordo com os pesquisadores correm risco devido à fragmentação severa do habitat. Foto: Fábio Olmos.
Choquinha-asa-ferrugem (Dysithamnus xanthopterus), fotografada em Monte Verde, é uma das espécies que não aparecem como ameaçadas na lista da IUCN, mas de acordo com os pesquisadores correm risco devido à fragmentação severa do habitat. Foto: Fábio Olmos.

Manaus, AM − Pesquisadores liderados pelo professor Gareth Russel, do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey, sugerem que a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês) reavalie o status de conservação de 28 espécies de pássaros da Mata Atlântica. Eles avaliaram o risco de extinção de 127 espécies de pássaros que dependem da floresta para sobreviver e concluíram que muitas dessas aves correm mais risco de desaparecer do que se acreditava até agora.

Os resultados foram publicados nesta quarta-feira, na revista científica Conservation Biology. No estudo, foi aplicado um novo médodo de avaliação de risco das espécies desaparecerem, uma versão modificada da medição chamada de capacidade meta-população, utiliza informações sobre o tamanho e a distância entre os fragmentos florestais e indica a influência desses fatores geográficos durante longos períodos.

A partir dos dados obtididos, foram destacados dois grupos distintos de pássaros, aqueles que sofrem impacto severo e aquelas cujos efeitos da fragmentação são leves. Poucas espécies ficaram em uma situação intermediária. A Mata Atlântica já perdeu mais de 90% da cobertura original. Os pesquisadores sugerem que 58 pássaros que estão com o habitat severamente fragmentado e por isso correm risco de desaparecer. Quase metade dessas aves não consta como ameaçada na Lista Vermelha da IUCN.

Os pesquisadores acreditam que o método pode ter aplicação ampla, ajudando a identificar o risca das espécies para diferentes grupos e de muitas regiões do planeta. Para Russel, o método vai facilitar o trabalho de esquipes que se dedicam a fazer análises sobre a conservação de espécies, uma atividade desafiadora, segundo ele, que leva os pesquisadores a se depararem com muitas incógnitas.

“As espécies mais ameaçadas são frequentemente as mais raras, e portanto as mais difíceis de serem encontradas e estudadas. Nossa abordagem requer apenas conhecimento básico sobre uma espécie, e otimiza esta informação com uma avalanche de dados sobre o Meio Ambiente”, afirma o professor.


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