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Ferramenta do Google mostra queda de interesse no clima

Segundo as estatísticas do site que mostram um índice do número de buscas, expressões relacionadas a mudanças climáticas estão em queda.

Eduardo Pegurier ·
3 de outubro de 2013 · 9 anos atrás

Há uma semana o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, da sigla em inglês) lançou mais um relatório que reafirma a enorme chance de que o aquecimento global do último século seja causado por atividades humanas. Usando a ferramenta Google Trends, aqui em ((o))eco, ficamos curiosos se o interesse sobre o assunto está aumentando ou diminuindo.

O Google processa cerca de 100 bilhões de buscas por mês. Dessa forma, descobrir o que as pessoas estão tentando encontrar na internet é uma boa maneira de medir o interesse por um assunto. A ferramenta Google Trends, do próprio Google, permite que você pesquise a popularidade de uma determinada expressão/palavra-chave nas buscas feitas no site. O resultado não é um número absoluto de buscas, mas um índice. O mês do ano em que ocorreu o ápice das buscas do termo em questão é considerado como 100 e passa a ser usado para comparação com outros meses. Ao procurar as duas principais palavras-chaves relacionadas ao tema do IPCC: mudanças climáticas e aquecimento global, em português e inglêsl, o resultado foi o seguinte:

 

Mudanças climáticas

O ápice das buscas pela expressão foi em outubro/2005 (passe o mouse por cima do gráfico, para ver o valor do índice em cada mês entre janeiro/2004 e setembro/2013). A tendência não é suave, mas cheia de altos e baixos. No entanto, é claramente de baixa. Em 2013, o ápice do índice de buscas foi setembro, que coincide com o lançamento do novo relatório do IPCC. Mesmo assim, o índice ficou em 19, que pode ser lido como 19% do interesse máximo ocorrido em 2005. Em janeiro/2013, o valor do índice era de 9. Ou seja, as buscas pelo termo mais usado em português para se referir ao aquecimento antropogênico estão desabando.

Aquecimento global

A expressão parece estar sendo substituída por mudanças climáticas. Suas buscas atingiram o ápice em maio/2007. Em setembro/2013, o índice atingiu o valor 7, que pode ser lido como 7% do momento de maior número de buscas.

Climate Change

O equivalente em inglês para “mudanças climáticas” atingiu o auge em dezembro/09, e, a partir daí, caiu. Em setembro/2013, o valor do índice era 43, uma performance melhor do que a tradução em português, mesmo assim, uma queda brusca.

Global warming

O equivalente em inglês a “aquecimento global” atingiu o auge do interesse, pela ferramento do Google, em março/2007, quando o índice atingiu o 100. Então, começou também a desabar. Em setembro/2013, o índice era de 14, que pode ser lido como 14% do máximo.

 

 

IPCC

A sigla que resume “Intergovernamental Panel on Climate Change” é maneira mais comum de se referir ao nome enorme do grupo da ONU que acompanha as pesquisas sobre o clima. É um palpite razoável que buscas em diversas línguas pelo painel devam usar a sigla IPCC. O auge do interesse nas buscas da sigla ocorreu em fevereiro/2007, o 100 do índice. Daí em diante, embora salpicado de picos, o interesse caiu. De forma previsível, saltou em setembro-outubro/2013, em torno do lançamento do novo relatório. Mesmo assim, não passou de 76% o interesse relativo ao momento de pico.

O que interpretar?

Não é trivial explicar esses resultados. É razoável dizer o óbvio: caiu o interesse sobre esses temas, dada a importância que as buscas no Google têm como referência às curiosidades do público. Mas por que o interesse caiu? Difícil saber. Uma das razões possíveis pode ser que isso deixou de ser assunto. As pessoas aceitam que o aquecimento do planeta é causado por atividades humanas, como diz o IPCC, e, que fazer? Só resta tocar a vida, mas o interesse médio em pesquisar o assunto diminuiu. É razoável também imaginar que elas não consideram o problema uma emergência, pois a queda de buscas deve implicar menos engajamento no debate ou vontade de conhecer detalhes sobre o fenômeno.

 

 

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  • Eduardo Pegurier

    Mestre em Economia, é professor da PUC-Rio e conselheiro de ((o))eco. Faz fé que podemos ser prósperos, justos e proteger a biodiversidade.

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