
O desmatamento na Amazônia aumentou consideravelmente em janeiro, segundo dados divulgados hoje (13) pelo Imazon. Foram detectados 107 quilômetros quadrados de desmate, um aumento de 206% em relação a janeiro de 2013 quando o desmatamento somou 35 km². Os pesquisadores destacaram perdas na Floresta Estadual do Paru.
Entretanto, o desmatamento acumulado entre agosto de 2013 a janeiro de 2014 caiu 60%, em comparação com o mesmo período no ano anterior (o ano-calendário do desmatamento começa em agosto e termina em julho seguinte). Foram desmatados 531 km² desde agosto. No período anterior o desmatamento somou 1.326 km².
A cobertura de nuvens na região foi de 58%. Isso permitiu monitorar apenas 42% da Amazônia Legal, pois o restante estava invisível aos satélites. Os estados com maior cobertura de nuvem foram Amapá (86%), Pará (83%), Rondônia (79%) e Mato Grosso (58%). Neste cenário, os estados que mais desmataram foram Roraima (34%), seguido por Mato Grosso (22%), Pará (22%), Tocantins (9%), Acre (8%), Amazonas (3%) e Rondônia (2%).
O pesquisador Heron Martins, um dos coordenadores do Boletim do Desmatamento (SAD), chama atenção para o desmatamento que está ocorrendo na calha norte do Pará. “É uma área que normalmente tem grande desmate. Detectamos desmatamento dentre da Floresta Estadual do Paru, justamente uma área que está sob polêmica e pode ser reduzida”, explica.
O município onde está localizado a Floresta do Paru é Prainha, no Oeste do Pará, que ficou em segundo lugar no ranking de municípios campeões de desmatamento. Em janeiro, 10, 3 km² de mata foram destruídos.
Leia Também
Desmatamento e escravidão andam juntos na Amazônia
Nuvens atrapalham, mas monitoramento detecta queda no desmatamento
ONGs analisam aumento de desmatamento na Amazônia
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
PL que reduz APA da Baleia Franca não tem fundamento técnico, aponta Rede Pró-UC
Projeto de lei que exclui toda porção terrestre da APA, no litoral catarinense, tramita agora em regime de urgência e pode ir direto para votação no Plenário da Câmara →
O El Niño e a favela: por onde andam as políticas de adaptação? Ou quem se importa?
Enquanto alguns contabilizam perdas em safras e commodities, outros perdem casas, documentos, meios de trabalho e, muitas vezes, a própria vida →
Quando o chorume transborda, transborda também a responsabilidade ambiental
A proteção das águas brasileiras exige uma visão integrada. Resíduos sólidos, saneamento, recursos hídricos e saúde pública não podem continuar sendo tratados como políticas isoladas →

