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Rabo-branco-acanelado, o eremita dos planaltos

Mundo afora, é assim que chamam o nosso animal da semana, o beija-flor Phaethornis pretrei.

Redação ((o))eco ·
22 de maio de 2014 · 9 anos atrás

Beija-flor rabo-branco-acanelado ([i]Phaethornis pretrei[/i]) fotografado em Mogi das Cruzes-SP. Foto:
Beija-flor rabo-branco-acanelado ([i]Phaethornis pretrei[/i]) fotografado em Mogi das Cruzes-SP. Foto:

O beija-flor Phaethornis pretrei, como todos os membros da familía dos troquilídeos (beija-flores), é uma ave típica das Américas. Esta espécie em particular é originária da América do Sul, encontrada na Argentina, Bolívia, Paraguai e Brasil. Aqui ocorre do Maranhão ao Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso.

No Brasil, ele é conhecido por beija-flor rabo-branco-acanelado. Também o conhecemos por limpa-casa, beija-flor-de-rabo-branco e rabo-branco-de-sobre-amarelo. Nos países de língua espanhola e no resto do mundo, tem um nome mais romântico: ele é o beija-flor eremita ou o eremita dos planaltos.

A ave mede 15 cm de comprimento do bico à ponta da cauda, o que faz dela uma das maiores espécies de beija-flores brasileiras. Neste quesito é um forte concorrente do beija-flor-violeta (Colibri coruscans), que já descrevemos aqui.

A plumagem é na maior parte, de uma cor de canela, com uma longa cauda com penas terminam numa ponta branca. Daí o seu nome em português rabo-branco-acanelado. A asas e o entorno dos olhos são negros, como também é a parte superior do bico, comprido e ligeiramente curvado para baixo, e base vermelha.

Sua dieta consiste principalmente do néctar de flores e também de pequenos artrópodes. É uma ave de hábitos diurnos, como todos da família, é muito ativa, sempre em busca de alimento. Seu metabolismo acelerado só encontra descanso à noite, quando praticam o torpor: uma forma de descanso muito bem descrita por Marcos Rodrigues colunista de ((o))eco.

Vive em áreas semi-abertas e abertas, como o Cerrado e a Caatinga, mas também está presente no Pantanal. Pode ser avistado nas bordas de florestas úmidas e semidecíduas, matas ciliares, em parques e jardins. Seus ninhos têm uma forma cônica alongada, e terminam num apêndice caudal mais ou menos longo, servindo de contrapeso. São feitos de restos de plantas acumulados em espessa camada e fixados com teias de aranha e saliva da própria ave, suspensos na face interior das folhas de árvores de folhas largas como as palmeiras, samambaias e helicônias. Não é incomum ver um ninho fixado sob construções humanas, como beirais de telhados e lustres no interior de residências.

Entre agosto e novembro, se dá a época do acasalamento. O macho, a fim de atrair a atenção da fêmea, faz uma pequena exibição: abre o bico e exibe a boca, a língua e a mandíbula. Todas essas partes tem um vívido colorido, atraente às fêmeas. Também exibem a cauda expandida em forma de leque. Quando o casal é definido, realizam um “voo pré-nupcial”: o macho persegue a fêmea, ambos piando, por dentro da mata fechada.

A fêmea coloca dois ovos que serão incubados por um período de 12 a 15 dias. Os irriquietos filhotes deixam o ninho depois de três semanas de idade.

De acordo com a IUCN, o Phaethornis pretrei é classificado como uma espécie Pouco Preocupante, no que se refere ao risco de extinção. O beija-flor eremita não só tem uma área de ocorrência bem ampla, como também não parece sofrer uma queda populacional significativa. Ainda veremos essa bela ave por algum tempo. Uma boa notícia.

 

 

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