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Morador registra impactos de fogos de artifício sobre aves em Manaus

Vídeo com a revoada de periquitos-de-asa branca, assustados pelo barulho de fogos de artifício no ano, foi divulgado nas redes sociais

Vandré Fonseca ·
6 de janeiro de 2019 · 3 anos atrás
Periquito na mesma avenida onde ocorreu a revoada, em 2014. Foto: Ipaam/Divulgação./Arquivo.

Manaus, AM – A reação barulhenta e desesperada dos periquitos-de-asa-branca na virada do ano foi registrada pelo representante comercial André Oliveira. Ele estava na varanda da casa dele, aguardando a chegada de 2019, e percebeu a agitação das aves devido ao barulho. E foi surpreendido com um periquito assustado visitando a varanda onde ele estava. O vídeo da revoada foi divulgado pelas redes sociais, como uma advertência sobre os impactos de fogos de artifício sobre essas aves.

As imagens mostram os periquitos em revoada barulhenta sobre avenida e árvores, enquanto ao fundo explodem os fogos de artifício. “Quando começaram a soltar alguns fogos de artifício, bem antes da meia-noite, eles começaram a fazer revoadas, ainda não no mesmo porte do que aconteceu depois”, recorda André. De acordo com ele, as revoadas na virada do ano eram causadas principalmente por fogos soltos de uma casa que fica em um condomínio de luxo, em frente ao abrigo das aves.

“A situação piorou com os fogos dessa casa. Aí, foi uma revoada imensa. Apareceram animais mortos no outro dia”, completa. O representante comercial conta que um dos periquitos, assustado, passou pela tela de proteção da varanda. “Ele arfava de tão assustado”, descreve. O bichinho foi resgatado e observado até que parecesse mais calmo. Depois de solto, voou novamente.

Palmeiras imperiais protegidas com telas para evitar os periquitos, em 2014.. Hoje elas já não existem mais. Foto: Ipaam/Divulgação.

A concentração de periquitos-de-asa-branca em uma das mais movimentadas avenidas de Manaus começou a chamar a atenção há cerca de seis anos. Eles escolheram palmeiras imperiais que decoravam a entrada de um condomínio de luxo para passar a noite, durante sete ou oito meses por ano. Chegavam em bandos barulhentos no final da tarde, após aproveitarem a oferta abundante de mangas em quintais da cidade, e partiam na manhã seguinte. Cada vez mais numerosos, passaram a ocupar também as árvores que ficam no canteiro central da avenida.

Para proteger as palmeiras, danificadas pelos periquitos, sob orientação de órgãos ambientais, foram colocadas telas sobre as copas. Por pressão de defensores de animais, as telas acabaram sendo retiradas. Algum tempo depois, as palmeiras, já bastante danificadas, também desapareceram da paisagem. Sem as palmeiras, os periquitos continuaram no canteiro central, onde dormem sob o risco de colisões com veículos.

Em 2014, cerca de 200 periquitos foram encontrados mortos no canteiro central. Imagens de câmeras de segurança do condomínio mostraram que eles foram vítimas da colisão do baú de um caminhão com os galhos das árvores onde dormiam. Após esse acidente, a área foi sinalizada e o trânsito de caminhões pela faixa da esquerda da avenida, proibido. Mas eventualmente ainda aparecem periquitos mortos no local.

As aves fazem muito barulho no final da tarde e início da noite. Mas para André Oliveira, a presença deles é um privilégio. Basta fechar as portas de casa, que o barulho desaparece. “Eu prefiro mil vezes o som dos periquitos do que o som dos carros. O barulho dos carros da Efigênio Sales é horrível”, compara o morador.

 

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