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Veículo de ONG é atingido por tiros em Santa Catarina

Ninguém ficou ferido, mas colaboradores do Instituto Espaço Silvestre estão assustados e suspenderam algumas atividades por precaução. ONG ajuda a recuperar população de papagaios ameaçados em Santa Catarina

Vandré Fonseca ·
28 de junho de 2018 · 3 anos atrás
Carro do Instituto Espaço Silvestre alvejado. Autor do atentado não foi localizado. Foto: Vanessa Tavares Kanaan/Facebook.

Um carro do projeto de reintrodução do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) sofreu um atentado a tiros quando retornava de um trabalho de campo, na quarta-feira (26/06), perto da cidade de Ponte Serrada (SC), a 460 quilômetros da capital do estado.

“O biólogo estava vindo sozinho do Parque Nacional das Araucárias, às 11 horas da manhã, em plena luz do dia”, conta a bióloga Vanessa Tavares Kanaan, diretora-técnica do Instituto Espaço Silvestre, da organização não governamental responsável pelo programa.

Dos cinco tiros que teriam sido disparados, dois acertaram o veículo, segundo informações da ong. Assustado, o motorista preferiu continuar a viagem e retornou, algum tempo depois, com policiais. Mas o autor dos disparos não foi identificado.

Desde 2010, o projeto já soltou 113 papagaios, na grande maioria resgatados do tráfico, na região. Outros 100 estão em reabilitação para serem levados à vida livre.

O papagaio-de-peito-roxo é encontrado na Mata Atlântica, da Bahia ao Rio Grande do Sul e regiões da Argentina e Paraguai. Entre os ameaçados, é a principal vítima dos traficantes de animais, segundo informações da ong.

Endêmicos da Mata Atlântica, o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) é uma das espécies na lista vermelha da IUCN. Foto: Vanessa Kanaan.

Pelos critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a espécie é considerada em perigo de extinção, devido ao rápido declínio da população, provocada pela perda e fragmentação do hábitat, além do comércio ilegal. No ICMBio, é listada como vulnerável.

“Existem aproximadamente 4 mil em vida livre”, afirma Vanessa Kanaan. “Mas se considerar a ocorrência, você vê que é muito baixa, que são populações muito isoladas”, completa.

Dispersores de sementes

A bióloga destaca a importância desses papagaios para a floresta. Eles são dispersores de sementes de araucárias e outras árvores. De acordo com a bióloga, pinhões da araucária bicados por papagaios germinam com mais facilidade.

Vanessa Kanaan diz ainda que ela e os colegas estão assustados. Algumas atividades do projeto foram suspensas, enquanto é providenciada escolta para equipes. Mas essa medida de proteção aos ambientalistas ainda depende de dinheiro, que está em falta.

Há seis meses, por falta de recursos, o projeto não recebe papagaios resgatados. “A gente espera que de algo tão ruim, a gente consiga atenção tanto contra a caça quanto a captura de animais da natureza”, torce a bióloga.

 

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Comentários 7

  1. Paulo diz:

    Imaginem se a PL da caça/matança do dep. Vadestruir Collato passar. Será chumbo aos montes para tudo quanto é lado.


    1. Jahlim Rabey diz:

      Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Quem quer cometer crime, vai cometer de qualquer jeito.


      1. Andreia diz:

        Exatamente!!!! Imagina com caça liberada!!! Alguém tem a santa inocência de achar que aqui no Brasil vão atirar só nas espécies que poderia????!!!!!
        Fala sério!!!!


      2. fui. diz:

  2. Vanessa diz:

    Precisamos transformar esse fato trágico em algo bom, vamos no unir para cobrar e emponderar a autoridades para que possam proteger pessoas e a nossa biodiversidade!


  3. Fernando diz:

    Agora os bandidos começaram a atirar nos Biólogos que com muito sacrifício estão tentando reintroduzir o papagaio-de-peito-roxo. Não basta desmatar e caçar os animais, também querem impedir a reintrodução daqueles que eles extinguiram…


  4. Marineiro diz: