Reportagens

Rinha na justiça

Foi adiado para a próxima semana o julgamento do pedido de trancamento das ações penais movidas contra Duda Mendonça e seus companheiros de rinhas de galo.

Ana Antunes ·
1 de março de 2005 · 21 anos atrás

Terminou empatada a sessão da 4ª Câmara Criminal do Rio de Janeiro que julgou o pedido de habeas corpus dos advogados de defesa de Duda Mendonça, preso em flagrante em outubro participando de uma rinha de galos. A concessão de habeas corpus interromperia os processos penais relativos às denúncias de formação de quadrilha e apologia ao crime. O desembargador Ivan Cury alegou conhecer pouco do processo e pediu uma semana extra para estudar os autos. Os desembargadores Nilza Bitar e Francisco José de Asevedo votaram contra e a favor do habeas corpus, respectivamente.

A 4ª Câmara se reunirá novamente na próxima terça-feira, dia 8 de março. Mas a decisão não está nas mãos apenas do dr. Cury. Os desembargadores que já votaram podem mudar de opinião. Independentemente da decisão tomada pela 4ª Câmara, o processo voltará à 26ª Vara Criminal, onde será julgado. Lá também será decidida a manutenção do interrogatório inicialmente marcado para o dia 14 de março.

Como justificativa para o pedido, a defesa alegou que não é possível enquadrar Duda no artigo 288 do Código Penal por formação de quadrilha, já que a função que o acusado exerceria na mesma não foi especificada pelo documento. Com relação à denúncia de apologia ao crime, os advogados entendem que o clube particular que realizava a rinha não se enquadra no artigo 287 do mesmo Código, por não divulgar as lutas e porque seria necessária uma audiência maior do que a existente para caracterizar tal crime. Na noite do flagrante, havia cerca de 200 pessoas presentes na rinha.

Se o pedido de habeas corpus for aceito, o publicitário será julgado apenas por maus-tratos a animais silvestres (artigo 32 da lei 9.605), considerado um crime de pequeno potencial ofensivo. A pena máxima é de 2 anos, mas o juiz pode optar por penas alternativas, como prestação de serviços à comunidade ou doações de cestas básicas.

Cerca de 20 manifestantes de entidades de defesa dos animais se concentraram em frente ao Fórum num protesto contra o pedido de habeas corpus. Mariângela Freitas, presidente da ONG Defensores dos Animais, disse que sua organização estava ali para ter certeza de que o processo terá continuidade. Leda Leal, da mesma ONG, disse que a manifestação teve poucos participantes porque a data do julgamento foi divulgada errado e houve pouco tempo para organizar o ato. Também estavam presentes a Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (SUIPA) e a ONG Fala Bicho.

Ao fim do julgamento, os advogados de defesa não quiseram comentar o caso e afirmaram que não tecerão nenhum comentário até que a justiça tome uma decisão.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
22 de maio de 2026

STF valida redução de área protegida no Pará para abrir caminho à Ferrogrão

Supremo considera constitucional mudança nos limites do Parque Nacional do Jamanxim, em decisão que favorece projeto ferroviário alvo de críticas socioambientais

Reportagens
22 de maio de 2026

Arborização urbana esbarra na falta de continuidade das prefeituras

Metas e dispositivos legais existem, mas a falta de coordenação, orçamento próprio e problemas de gestão figuram como grandes empecilhos

Salada Verde
22 de maio de 2026

IPAM e UNODC lançam guia para proteção de terras indígenas

Documento defende o protagonismo indígena na proteção territorial e reúne práticas para enfrentar invasões, garimpo e desmatamento ilegal

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.