Reportagens

MPF abre inquérito sobre porto da Cargill

Após audiência em Santarém, procuradores avaliarão possível fraude na produção de estudo de impacto ambiental por multinacional americana.

Redação ((o))eco ·
15 de julho de 2010 · 16 anos atrás

Belém – A audiência pública sobre o terminal graneleiro da Cargill no Porto Público de Santarém, no Pará, terminou ontem com uma notícia que certamente não agradou a 100% das 2.500 pessoas que participaram do encontro. O Ministério Público Estadual (MPE) anunciou ao Ministério Público Federal (MPF) que vai pedir abertura de um inquérito policial para investigar os dados do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) do terminal devido à suspeita de fraude das informações apresentadas.

Como lembra o Greenpeace, em uma nota que divulgou sobre o assunto, este porto “começou pelo fim”. Primeiro, foi construído em 2000. E, apenas depois de muita pressão pública, a Cargill entregou um EIA-Rima. Se a fraude no documento for confirmada, a empresa corre o risco de responder a um processo criminal.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Inúmeros especialistas têm estudado o caso desde que o porto iniciou suas atividades. Na safra de 1999/2000, a soja era encontrada em menos de 2.500 hectares no Pará, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na de 2003/2004, ou seja, após o funcionamento do terminal, plantações do grão já haviam se expandido para 35 mil hectares. Isso provaria que o Porto da Cargill contribuiu para o aumento do desmatamento no estado. A devastação só passou a ser contida depois de 2006, a partir da assinatura da moratória da soja. Para saber mais sobre este assunto, clique aqui.

“Mas esse ainda não é o fim da história. Temos pela frente a pavimentação da BR 163 e a informação divulgada pela Cargill, de que pretende expandir em 50% a capacidade do terminal – uma combinação que poderá resultar em boom de expansão do desmatamento”, afirma Raquel Carvalho, da Campanha da Amazônia do Greenpeace.

Paulo Adário, diretor da Campanha da Amazônia do Greenpeace, contou através de seu twitter como estavam os ânimos dos participantes da audiência. “Porto da Cargill em STR: audiência pública em clima tenso. Agronegócio lotou a sala com “participantes” trazidos em vários ônibus”. Duas horas depois, complementava: “acabou audiência pública. Ministério Público mandou bem. Apesar do lobby pesado do agronegócio, Cargill não terá vida fácil.”(Karina Miotto)

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Análises
21 de julho de 2026

Da COP28 às últimas negociações em Bonn: o lugar da cultura no regime climático da ONU

A transversalidade do termo, que abre espaço para pautas como diversidade e direitos humanos, segue impedindo avanços e tratando a cultura como secundária ou alternativa

Salada Verde
21 de julho de 2026

Reserva do IBGE no Distrito Federal é transformada em Estação Ecológica

Com a mudança, a reserva ecológica de 1,3 mil hectares no Cerrado que abriga mais de 4 mil espécies passará a ser gerida de forma integrada entre IBGE e ICMBio

Análises
21 de julho de 2026

A quem serve um projeto que impede o Estado de agir contra crimes ambientais?

Embargos, apreensões, interdições e demais medidas cautelares não existem para punir. Existem para interromper o dano enquanto ele acontece

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.