Reportagens

Jóia goiana

Investimentos em gestão e pesquisas não acompanham a importância biológica do Parque Nacional das Emas. É uma das últimas chances de conhecer uma área original do Cerrado.

Andreia Fanzeres ·
19 de fevereiro de 2008 · 18 anos atrás

Para chegar ao Parque Nacional das Emas é bom que o visitante esteja avisado: vai ter que rodar centenas de quilômetros se quiser conhecer uma das mais importantes áreas de Cerrado que restaram no Brasil. A monotonia da paisagem não cessa nem quando se atinge a cidade mais próxima do parque, Chapadão do Céu (GO), que fica a apenas 27 quilômetros (Km) de uma das entradas. Por lá, embora as referências às emas estejam em toda parte, não espere encontrar estrutura para turistas, como opções de hotéis, restaurantes e de lembrancinhas da região. Os cinco mil habitantes dali se acostumaram a ver mais pesquisadores, estrangeiros e observadores de aves do que brasileiros interessados em curtir as férias no Cerrado.

Mas quem se anima a ir, não tem do que se arrepender. De Brasília são quase 750 Km de distância. De Cuiabá, cerca de 650 e de Campo Grande mais uns 350 Km de estradas, a maioria em condições ruins. Só que esse cantinho entre os três estados do Centro-Oeste é uma dádiva para amantes e estudiosos da biodiversidade. Muito próximo de seus limites ficam as nascentes de importantes rios, como o Araguaia, que pertence à bacia amazônica, o Taquari, um dos principais e mais doentes do Pantanal, além de diversos outros que descem para a bacia do Prata, afloramentos e áreas de recarga do aqüífero Guarani. Mas visitá-los não faz parte do roteiro, pois, salvo as nascentes do Taquari, essas outras áreas estão fora de áreas protegidas.

Melhor aproveitar o que Emas oferece. E não é pouca coisa. Só dentro do parque existem cerca de 300 quilômetros de estradas, de onde é possível observar rastros de grandes animais, ou eles próprios se o visitante tiver sorte, como os tamanduás, que se camuflam muito bem no mato alto. Com muito mais sorte, há quem consiga ver uma onça.

Clique aqui para conhecer as belezas e os desafios para cuidar deste parque – seção de fotos.

  • Andreia Fanzeres

    Jornalista. Coordena o Programa de Direitos Indígenas, Política Indigenista e Informação à Sociedade da OPAN.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Reportagens
16 de março de 2026

Entenda o que é o Plano Clima e sua importância no enfrentamento às mudanças climáticas

Organizações celebram publicação do documento, mas chamam atenção para fragilidades e lacunas que ainda precisam ser resolvidas

Análises
16 de março de 2026

Sem passar a boiada: rebanhos europeus viraram bombeiros de verdade

Enquanto políticos daqui vendiam gado como solução para incêndios, o velho continente mostrava que o bom pastoreio pode controlar o fogo

Análises
16 de março de 2026

Quando é melhor matar do que ferir: a contradição do novo decreto ambiental

O novo decreto aumentou de forma importante as multas por maus-tratos, mas manteve de pé uma contradição difícil de defender: em certos casos, matar um animal silvestre segue saindo mais barato do que ferir um cachorro

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.