Salada Verde

Olho no passado para prevenir o futuro

Parque Nacional da Chapada Diamantina se prepara para nova temporada de seca um ano após incêndio que consumiu 55 mil hectares de seus domínios.

Salada Verde ·
3 de julho de 2009 · 17 anos atrás
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Quase um ano após o grande incêndio que atingiu 55 mil hectares de seus domínios (o equivalente a um terço do total) o Parque Nacional da Chapada Diamantina (BA) começa a se prevenir para os riscos de mais uma temporada de secas. Por enquanto, apenas dois pequenos focos de calor foram detectados, mas eles se extinguiram sozinhos graças às baixas temperaturas e alta umidade características da região nos meses de junho e julho.

“O perigo começa, de verdade, em agosto. Mas hoje finalizamos a contratação de 42 brigadistas através do Instituto Chico Mendes, e eles começam os trabalhos em setembro, baseados em dois acampamentos. Os Equipamentos de Proteção Individual também já foram licitados e adquiridos e em breve devem chegar”, explica Christian Berlinck, chefe do parque. A notícia seria comum, mas ganha em importância quando os acontecimentos de 2008 são relembrados.

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À época do maior desastre registrado na história da unidade de conservação, o PrevFogo demorou um mês para enviar a primeira equipe de combatentes. Enquanto isso, centenas de voluntários lutavam contra as chamas sem qualquer estrutura, rodízio, ou proteção individual. Os equipamentos chegaram apenas quando as chuvas detiveram o fogo. “Pelo menos eles servirão para este ano”, diz Berlinck.

Grande parte da vegetação queimada já está em fase de recuperação por se tratar de gramíneas. Questionado se o turismo foi afetado nos últimos meses em função do desastre, o chefe do parque não soube responder. A explicação é simples: ainda não há guaritas e sequer cobranças de entradas. Ou seja, não há regulação do número de pessoas que visitam a unidade a cada ano.

Existem, ao menos, perspectivas de que essa realidade poderá mudar em breve. Isso porque o parque, criado em 1985, viu o seu primeiro Plano de Manejo ser finalmente publicado no dia 6 de março, quase um ano e meio após sua aprovação – em dezembro de 2007. O próximo passo será fazer a regularização fundiária da unidade, que possui 40% de suas terras nas mãos de posseiros e donos de títulos legais de propriedades. “Já temos dinheiros para a indenização dos titulares graças a recursos provenientes de compensação ambiental. Os posseiros vamos resolver depois, porque eles não podem receber qualquer quantia em função da lei”, finaliza Berlinck.

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