Salada Verde

Abaixo-assinado contra novo Código Florestal chega ao Planalto

Com votação do texto marcada para esta semana no plenário do Senado, ONGs tentam última cartada pressionando o governo Dilma a tomar posição sobre temas polêmicos.

Gustavo Faleiros ·
29 de novembro de 2011 · 14 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Foto: © Cristiano Costa/Greenpeace
Foto: © Cristiano Costa/Greenpeace

 

Ás vésperas da votação do novo Código Florestal no plenário do Senado, organizações não governamentais ocuparam a Praça dos Três Poderes em ato que marcou a entrega de um abaixo assinado no Palácio do Planalto.

O secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB), receberam do Comitê Brasil pelas Florestas um abaixo assinado com 1,5 milhão de assinaturas pedindo a rejeição da atual proposta de alteração da legislação ambiental.

Essa seja talvez a última cartada dos ambientalistas frente ao rolo compressor no Senado para a aprovação de um texto considerado permissivo com o crime ambiental. Aprovado na Comissão de Meio Ambiente na última quinta, o relatório do senador Jorge Viana (PT-AC) libera pastagens em áreas de preservação permanente e acaba com a obrigação de Cadastro Ambiental Rural inteiramente georeferenciado. O Greenpeace, que participou da manifestação, alçou um grande balão frase intimando senadores “a desligarem a motosserra.”

 

 

No Senado, a votação deve ficar alheia aos protestos, já que o relatório de Viana só recebeu um voto contrário na Comissão de Meio Ambiente. A esperança das ONGs é que a presidente Dilma Rousseff tome uma posição contrária ao novo Código, já que ele impede o cumprimento da Política Nacional de Mudanças Climáticas. Mas até agora, a julgar pelos sinais emitidos pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o governo considera o texto no Senado satisfatório. Ele ao menos limitou a anistia de multas por desmatamento à agricultura familiar.

O compromisso de Dilma na campanha presidencial de 2010 era vetar a anistia aos desmatadores. Como os grandes fazendeiros ficaram de fora do benefício, a presidente parece estar com a consciência tranquila.

Aliás, anistia não tem mais nem este nome, virou programa de regularização ambiental. A senadora-presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Katia Abreu, queria anistia geral e não levou. Mas não custa lembrar, que foi o próprio Jorge Viana (PT-AC) que apaziguou ânimos ruralistas na Comissão de Meio Ambiente ao dizer que já havia negociado com a ministra Izabella que a discussão das multas dos grandes seria tema de outro projeto de lei.

 

Foto: © Tico Fonseca/Greenpeace
Foto: © Tico Fonseca/Greenpeace

  • Gustavo Faleiros

    Editor da Rainforest Investigations Network (RIN). Co-fundador do InfoAmazonia e entusiasta do geojornalismo. Baterista dos Eventos Extremos

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Podcast
22 de maio de 2026

O papel das pessoas na recuperação de um rio

A transformação do Córrego Tiquatira de esgoto a céu aberto a parque, repleto de gente e atividades revela um componente essencial: o pertenciment

Salada Verde
22 de maio de 2026

STF valida redução de área protegida no Pará para abrir caminho à Ferrogrão

Supremo considera constitucional mudança nos limites do Parque Nacional do Jamanxim, em decisão que favorece projeto ferroviário alvo de críticas socioambientais

Reportagens
22 de maio de 2026

Arborização urbana esbarra na falta de continuidade das prefeituras

Metas e dispositivos legais existem, mas a falta de coordenação, orçamento próprio e problemas de gestão figuram como grandes empecilhos

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.