![]() |
A negativa do Ibama de dar a licença prévia para a construção do Estaleiro Eisa Alagoas no município de Coruripe, em Alagoas, abriu a porta para discussão sobre a forma de fazer política no Brasil. Explica-se, ao não dar a licença, por considerar que o local escolhido para a instalação do estaleiro não atende aos requisitos legais e ambientais, o IBAMA comprou briga com parlamentares de Alagoas, que disseram que pretendem prejudicar os projetos do Ibama que passarem pelas comissões no Congresso.
O deputado federal Givaldo Carimbão, líder do PSB na Câmara, foi o primeiro a repudiar a decisão do Ibama e a ameaçar: “Não está descartado vetar os projetos enviados pelo Ibama por intermédio do Ministério do Meio Ambiente. Todos eles vão ter de passar pelas comissões onde tem parlamentares do PSB. Vamos segurar o quanto puder (sic) para que esses projetos cheguem ao plenário da Câmara Federal. Como líder do PSB, convocarei para a próxima semana uma reunião com os deputados federais e colocaremos em pauta essa questão do Estaleiro Eisa. Vamos utilizar as nossas prerrogativas em prol de Alagoas”, garante Carimbão, que também é líder da chamada bancada alagoana.
O estado nordestino de Alagoas tem 9 deputados federais. Carimbão quer seguir os passos do senador Renan Calheiros (PMDB/AL), que no dia 3 pediu vista, recurso usado para adiar a votação da matéria. Assim, saiu da pauta da Comissão de Constituição e Justiça o projeto nº 60/2011, que cria novos cargos para o Ibama. “Os deputados federais de Alagoas não digeriram essa informação. Por isso, vamos mostrar que a nossa bancada também tem poder de atuação. Muitos parlamentares estão na Comissão de Meio Ambiente”, disse.
No Senado, o clima de toma lá, da cá também tomou conta dos parlamentares. De acordo com o senador Calheiros, que também tem opoio de Fernando Collor (PTB-AL) e Benedito de Lira (PP-AL), a decisão do Ibama é política e será respondida com atraso na tramitação de projetos que beneficiem servidores da área ambiental. “Nós sempre ajudamos, eu sempre tive boa vontade, mas, enquanto o Ibama não resolver esse problema de Alagoas, sinceramente eu não vou ter com o Ibama a mesma boa vontade que eu sempre tive”, disse Calheiros.
O Ibama negou a licença prévia para o Estaleiro Eisa Alagoas no final de junho. O local para escolha do empreendimento foi considerado inadequado, por estar em área de mangue. “A área eleita pelo empreendedor demandaria expressiva supressão de vegetação de mangue, que somente poderia ser autorizada no caso de inexistência de alternativa locacional, conforme o Código Florestal (Lei nº.12.651/2012). As deficiências no estudo de alternativas locacionais apresentado pelo empreendedor afrontam o disposto na Resolução Conama 01/1986”, afirma em ofício mandado à empresa responsável pela construção. A empresa anunciou que irá pedir a reconsideração do parecer pelo Ibama.
*Com Informações da Agência Brasil
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Justiça determina que Rio incorpore clima no processo de licenciamento ambiental
Decisão estabelece prazo de 90 dias para que prefeitura passe a exigir de empreendimentos poluidores plano de mitigação de emissões e medidas de compensação →
Quase 600 áreas protegidas da Amazônia não registraram desmatamento no primeiro semestre
Mais de 80% das áreas protegidas do bioma não apresentaram desmatamento entre janeiro e junho deste ano, segundo o Imazon. É o melhor desempenho dos últimos 8 anos →
A Era do Fogo: o alerta que vem da França
Os incêndios franceses demonstram que capacidade técnica e econômica, embora indispensáveis, não garantem proteção quando os ecossistemas perdem resiliência →

