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Cientistas descobrem duas novas espécies de escorpiões em Rondônia

Espécies Cayooca puchus e Brotheas cernii foram descritas em inselberg no Roraima e ampliam o conhecimento sobre a diversidade de escorpiões amazônicos

Karina Pinheiro ·
23 de junho de 2026
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Dois escorpiões até então desconhecidos da ciência foram descritos em uma área de floresta tropical no município de Mucajaí, em Roraima, no extremo norte da Amazônia brasileira. As espécies foram registradas em um inselberg, formação rochosa isolada que se eleva acima da floresta, e foram identificadas como Cayooca puchus e Brotheas cernii.

As coletas foram realizadas em outubro de 2022, em uma área associada à Cachoeira do Evandro, durante buscas noturnas com o uso de luz ultravioleta, técnica comum para localizar escorpiões no ambiente natural. Os inselbergs são formações rochosas que funcionam como “ilhas” ecológicas em meio à floresta. Esse isolamento geográfico e ambiental cria condições para a evolução de espécies únicas, muitas vezes restritas a áreas muito pequenas.

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Segundo os autores do estudo, esse padrão ajuda a explicar por que a região do Escudo das Guianas, que inclui parte de Roraima, é considerada uma área de alta diversidade biológica e grande número de espécies endêmicas.

Diferenças morfológicas

As duas novas espécies pertencem à família Chactidae, um grupo de escorpiões tipicamente associado ao chão da floresta, vivendo sob folhas, troncos caídos e no solo.

Cayooca puchus se diferencia de espécies próximas por apresentar maior granulação no corpo e alterações nas estruturas do exoesqueleto, especialmente nas carenas, elevações do corpo do animal que têm importância taxonômica.

Brotheas cernii apresenta corpo menor e forte granulação no dorso, além de diferenças nas carenas ventrais e nas patas, quando comparado a espécies semelhantes já conhecidas. Ambas foram registradas apenas no local da coleta, o que sugere distribuição extremamente restrita.

Apesar de avanços na taxonomia, os pesquisadores destacam que grandes áreas da Amazônia seguem pouco amostradas, o que contribui para um cenário de subestimativa da biodiversidade regional. No caso dos escorpiões, o problema é agravado pelo comportamento discreto e hábitos noturnos, o que dificulta a detecção em campo.

O estudo também reforça que novas espécies continuam sendo descritas regularmente na região, indicando que a diversidade real ainda é desconhecida em grande parte. Os autores chamam atenção para o papel de formações como inselbergs na manutenção de espécies únicas. Esses ambientes podem atuar como refúgios biológicos e, ao mesmo tempo, como laboratórios naturais de evolução.

  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos.

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