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Ibama multa gigantes do agronegócio por adquirirem grãos em áreas embargadas

Operação Shoyo ocorreu em quatro estados e resultou em multa de R$ 105 milhões para cinco empresas e agricultores. MPF irá propor ação civil pública contra os infratores

Sabrina Rodrigues ·
24 de maio de 2018 · 3 anos atrás
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Segundo o Ibama, as empresas compraram cerca de 3 mil toneladas de grãos produzidos em áreas proibidas de exercer atividade de agricultura por descumprir norma ambiental. Foto: Vinícius Mendonça/Ibama.

Uma ação que envolveu o Ibama e o Ministério Público Federal (MPF) contra o desmatamento no Cerrado resultou em 62 autos de infração e multa total de R$ R$ 105,7 milhões, na quarta-feira (23). Cinco tradings foram multadas, além de agricultores. As empresas acusadas de adquirirem sacas de grãos produzidos em terras embargadas pelo Ibama foram: ABC Indústria e Comércio SA, JJ Samar Agronegócios Eireli, Uniggel Proteção de Plantas Ltda, Cargill e Bunge Ltda.

A Operação Shoyo ocorreu em quatro estados: Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, na região conhecida como Matopiba. “O desmatamento ilegal no Cerrado é mais acelerado no Matopiba do que em outras regiões do bioma, o que exige o aprimoramento das estratégias de controle para garantir que a dissuasão atinja todos os elos ilegais na cadeia produtiva”, afirmou Renê Luiz de Oliveira, coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do Ibama.

As empresas desobedeceram ao art. 54 do Decreto 6.514/2008, que discorre sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente. Segundo a norma, “adquirir, intermediar, transportar ou comercializar produto ou subproduto de origem animal ou vegetal produzido sobre área objeto de embargo” gera multa de R$ 500,00 (quinhentos reais) por quilograma ou unidade”.

Segundo o Ibama, as empresas compraram cerca de 3 mil toneladas de grãos produzidos em áreas proibidas de exercer atividade de agricultura por descumprir norma ambiental. Foram apreendidas até o momento 84.024 sacas de grãos durante a operação, o que corresponde a 5.041 toneladas.

Além das medidas aplicadas pelo Ibama, o MPF irá propor ação civil pública para que os infratores reparem os danos ambientais causados pela atividade ilegal.

 

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 2

  1. Álvaro Rodrigues diz:

    Infelizmente , Paulo, é exatamente o que vai acontecer. Que se dane o meio ambiente. Peitar Cargill e Bunge? $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$


  2. Paulo diz:

    Estou duvidando do pagamento desta multas. Duvido do empenho dos advogados (AGU) para cobrar judicialmente estes valores.
    Fiquem de olho no ministério da casa civil, provavelmente vai interferir negativamente.
    Estas colocações vem da vida pregressa de atitudes destes governos.

    Vamos aguardar.