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Marina Silva convida Papa para a COP30 e pede “compromisso ético” contra crise climática

Na abertura da conferência no Vaticano, ministra destacou desafios geopolíticos, lembrou os 10 anos do Acordo de Paris e defendeu que a COP30 seja o marco da implementação das metas climáticas

Karina Pinheiro ·
1 de outubro de 2025
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Na abertura da Conferência Internacional Espalhando Esperança pela Justiça Climática, realizada nesta quarta-feira (1º), em Castel Gandolfo, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, destacou o papel do país nos debates climáticos globais e chamou o Papa Leão XIV a marcar presença na COP30, que acontecerá em novembro de 2025, em Belém do Pará.

Recebida sob aplausos, Marina destacou os desafios geopolíticos que cercam a agenda ambiental e lembrou que 2025 marca também uma década da assinatura do Acordo de Paris. A ministra reforçou que a COP30 deve ser o marco da implementação deste acordo e das resoluções firmadas no Consenso de Dubai, durante a COP28, que prevê a transição global para o fim do uso de combustíveis fósseis de forma justa e planejada.

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Em um discurso de quase dez minutos, a ministra afirmou que o mundo já dispõe de ferramentas técnicas, políticas e jurídicas para enfrentar a crise climática, mas que falta um ingrediente essencial: o compromisso ético.

“Hoje já dispomos de grande parte das respostas técnicas, acordos políticos e regulamentos jurídicos para executar essa agenda inadiável. Precisamos agora da determinação ética para cumprir com esses compromissos em benefício da atual e das futuras gerações, com foco sobretudo nas populações mais vulneráveis e marginalizadas”, afirmou.

Marina reforçou que a ciência e a política já oferecem caminhos, mas que o desafio é transformar conhecimento em ação. “Nós já temos as respostas técnicas. O que falta é o compromisso ético de usar a técnica e o conhecimento em benefício do enfrentamento da mudança do clima e do combate à desigualdade. É incoerente dizermos que amamos o criador e destruirmos a criação”, acrescentou.

O evento, que reúne cerca de 400 líderes religiosos, especialistas em clima, representantes da sociedade civil e autoridades internacionais, celebra os dez anos da encíclica Laudato Si’, publicada pelo Papa Francisco em 2015 e considerada um marco global na defesa da Casa Comum, da ecologia integral e da justiça social.

A Conferência Internacional integra o calendário do Balanço Ético Global (BEG) – iniciativa inédita da ONU e do governo brasileiro que organiza encontros em diversas partes do mundo como preparação para a COP30. O objetivo é avaliar os avanços e desafios na implementação do Acordo de Paris, apontando não apenas soluções técnicas, mas também responsabilidades éticas e políticas diante da emergência climática.

A abertura oficial foi presidida pelo Papa Leão XIV, com transmissão ao vivo pelo Vatican News. Durante os próximos dias, os debates abordarão financiamento climático, justiça social e o papel das religiões no combate à crise ambiental.

  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos.

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