Cinco dias após a criação do Parque Nacional do Albardão e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, localizados no município de Santa Vitória do Palmar/RS, o deputado Alceu Moreira (MDB-RS) apresentou o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 106/2026 para anular a criação das unidades.
Segundo o deputado, a decretação do parque e da APA inviabiliza “atividades produtivas tradicionais, notadamente a pesca artesanal e industrial, e compromete o potencial de desenvolvimento econômico regional, prejudicando projetos estratégicos de geração de energia renovável (eólica offshore) e a pesquisa de petróleo na Bacia de Pelotas”, escreveu, na justificativa.
As duas unidades, criadas no dia 6 de março, protegem uma área de mais de um milhão de hectares no extremo sul do Rio Grande do Sul e era uma luta antiga dos ambientalistas. A oposição à proteção da área era justamente a restrição da pesca com emalhe e a exploração de energia eólica no mar.
Para o movimento SOS Oceano, que reúne as organizações NEMA, Rede Pró-UC, Sea Shepherd Brasil, Projeto Golfinho Rotador, Divers for Sharks, Cátedras UNESCO e Tubarões e Raias de Noronha, a proposta de decreto legislativo é inconstitucional e não se justifica: “O texto constitucional é claro ao afirmar que incumbe ao Poder Público definir áreas para serem especialmente protegidas, que somente poderão ser alteradas ou suprimidas através de lei”, argumenta a organização, em Nota Técnica.
Ainda de acordo com as organizações, a criação das unidades seguiu os requisitos legais previstos e tanto a APA quanto o Parque permitirão atividades que beneficiarão os moradores de Santa Vitória do Palmar. “De acordo com o ICMBio, a pesca artesanal continuará a ser praticada na área da APA do Albardão enquanto a restrição na área do Parque Nacional contribuirá para retorno de espécies alvo da pesca. Isso porque a conservação dos ecossistemas marinhos contribui para a recuperação dos estoques pesqueiros, com o retorno de espécies alvo, principalmente da pesca artesanal, além de criar oportunidades relacionadas ao turismo sustentável e a outras atividades econômicas compatíveis. Também há grandes oportunidades de turismo e de renda, pois a região possui paisagens naturais singulares, como as dunas, os concheiros do Albardão e a grande extensão de praia, considerada uma das maiores do mundo em extensão de faixa de areia”, argumentam, Leia a Nota Técnica na Íntegra.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Governo cria o Parque Nacional de Albardão, com 1 milhão de hectares
UC será o maior parque nacional marinho do país; Governo também criou uma Área de Proteção Ambiental no local, com 55.983 hectares →
Albardão não é de nenhuma pessoa. É, finalmente, deles
O Parque Nacional representa mais do que uma vitória política, técnica ou institucional. Ele representa uma rara decisão civilizatória: a de dizer que o mundo não existe para ser usado →
Governo do RS pede suspensão do processo de criação do Parque Nacional de Albardão
Estado, que se manifesta a favor da instalação de eólicas offshore no local, pede que Planejamento Espacial Marinho seja finalizado antes de qualquer proposta →


