Salada Verde

Concessão inédita em gleba pública testa novo modelo de gestão para florestas na Amazônia

Edital para a Gleba Castanho leva concessões a terras públicas não destinadas e reacende debate sobre governança, controle territorial e combate ao desmatamento

Redação ((o))eco ·
23 de abril de 2026
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

O governo federal lançou o primeiro edital para concessão florestal em uma gleba pública federal não destinada, abrindo uma nova frente da política de gestão de florestas públicas na Amazônia. A área licitada está na Gleba Castanho, entre os municípios de Manaquiri, Careiro e Beruri (AM), e corresponde a 24,9% dos 240 mil hectares da gleba. A iniciativa, conduzida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), integra o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e está prevista no Plano Plurianual de Outorga Florestal 2024-2027.

A concessão inaugurou um modelo inédito por avançar sobre terras públicas não destinadas, categoria historicamente associada à grilagem, ocupação irregular e altos índices de desmatamento. Até agora, as concessões federais estavam concentradas em florestas nacionais. A aposta do governo é que contratos de manejo sustentável possam funcionar como mecanismo de ordenamento territorial em áreas onde a presença estatal é tradicionalmente frágil.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



O edital prevê não apenas a exploração madeireira e de produtos florestais não madeireiros sob manejo de impacto reduzido, mas também obrigações sociais e territoriais. Entre elas, investimentos estimados em R$460 mil por ano em projetos voltados às comunidades do entorno, com aplicação definida por consulta local e aprovação de conselhos municipais. Os recursos poderão financiar monitoramento florestal, regularização fundiária, pesquisa, educação ambiental e fortalecimento comunitário, um desenho que busca responder a críticas recorrentes sobre a distância entre políticas de uso sustentável e benefícios concretos para os territórios.

Segundo o Serviço Florestal Brasileiro, a concessão poderá gerar 264 empregos diretos e 529 indiretos, além de prever incentivos para certificação da madeira e atividades de pesquisa e monitoramento. Para o órgão, o modelo também busca reduzir pressões associadas a atividades ilegais, como grilagem e exploração predatória.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Reportagens
30 de março de 2017

Apesar de críticas, floresta sob concessão é melhor que floresta devastada

Ainda há pontos a serem melhorados no sistema de concessões florestais, mas o caminho é defendido como alternativa econômica e de proteção para grande parte da Amazônia

Salada Verde
25 de janeiro de 2013

Serviço Florestal vai mapear florestas brasileiras até 2016

Com financiamento do BNDES, técnicos mapearão em detalhes as florestas do país. Trabalho enfatizará qualidade do solo e espécies existentes.

Salada Verde
25 de fevereiro de 2011

Serviço Florestal vai gerir reservas

Reservas extrativistas, florestas nacionais e reservas de desenvolvimento sustentável serão tiradas do poder do Instituto Chico Mendes. 

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.