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Que orelhas grandes você tem!

Três décadas colecionando registros sobre o lobo-raposa brasileiro

8 de julho de 2026
  • Otávio Maia

    Médico veterinário, doutor em Desenvolvimento Sustentável, divulgador e explicador vinculado ao Laboratório de Informação para a Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – Ibict

“Debaixo da cabeça há uma grande mancha branca; também são brancos os pelos longos dentro da orelha e a metade extrema da cauda. Os pés até o jarrete, assim como as patas dianteiras, a mandíbula inferior desde o ângulo da boca para frente e a extremidade da superior, são totalmente negros. O restante da pelagem é “roxo claro algo amarillazo” [como o sufixo “-azo” parece funcionar como intensificador cromático ou marcador de matiz, a expressão provavelmente descreve um tom ferrugíneo, fulvo, ruivo-amarelado ou castanho dourado]; porém, na nuca começa uma crina, sempre ereta até ultrapassar o dorso, longa de 14,5 cm, dessa cor ruiva até a metade dos pelos, sendo o restante até as pontas negro. O pelo de todo o corpo, inclusive o ventre e a parte inferior das quatro pernas, é muito longo, chegando na garupa a 11, 4 cm; não é liso nem áspero, e pode servir para excelentes tapetes. O da cauda é algo espesso e do mesmo comprimento que o do corpo”. 

Assim Azara descreve o agüara-guazú em Apuntamientos para la historia natural de los quadrúpedos del Paraguay y Río de la Plata, obra publicada na Espanha em 1802 – considerada um marco para a zoologia sulamericana, servindo de fonte crucial para naturalistas posteriores, como Charles Darwin (1809-1882).

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Em 1777, com a assinatura do Tratado de San Ildefonso, Espanha e Portugal organizaram comissões encarregadas de definir os limites de seus domínios na América do Sul. Entre os representantes espanhóis, estava Félix de Azara y Perera (1742-1821), militar que alcançaria o posto de general de brigada.

Enviado à região do Rio da Prata, Azara aguardou a chegada da comissão portuguesa, que não apareceu. Então, entre 1781 e 1801, ele se dedicou a cartografar a região e a observar a fauna, descrevendo numerosas espécies de aves e mamíferos em seus hábitats. Suas descrições corrigiram erros difundidos por naturalistas europeus, entre eles Georges-Louis Leclerc (1707-1788), o conde de Buffon, cujas descrições dos animais americanos muitas vezes se baseavam em testemunhos indiretos ou em exemplares incompletos e malconservados. Pela atenção aos detalhes e pelo esforço de comparar, identificar e distinguir espécies, Azara deixou contribuições importantes para o desenvolvimento da zoologia e da classificação dos seres vivos.

No tomo I de “Apuntamientos para la historia natural de los quadrúpedos… ” , a partir da página 266, Azara descreve o o agüará-guazú — nome dado pelos guaranis ao animal de aparência singular, com corpo de raposa e pernas desproporcionalmente longas —, que significa “zorro grande”, isto é, “raposa grande” ou “canídeo grande”.

Na caracterização do agüara-guazú, destaco dois trechos sobre a alimentação, um escrito por Azara, em 1802, outro por Laureano Dourado, em 1942. No primeiro, Azara escreveu: “Capturei quatro filhotes idênticos separadamente; o menor, no fim de setembro, e pareceu-me que poderia ter nascido no fim de julho ou nos primeiros dias de agosto. O amigo Noseda apanhou outro que teria dois meses; querendo domesticá-lo, dava-lhe carne crua de vaca, mas ele morreu por não conseguir digeri-la. Depois capturamos os outros dois, que poderiam ter três meses; e, vendo que não digeriam carne crua de vaca, dávamo-la em pouca quantidade. O resultado foi que voltavam a expelir pela evacuação a mesma carne sem digeri-la. Para evitar sua morte, assávamos a carne, e ele a comia; mas mesmo assim a digeria mal. […] Gostava de ratos, cana-de-açúcar, laranjas, ovos e passarinhos; porém notei que não atacou nem tentou capturar galinhas algumas vezes que passaram ao seu alcance. […] não duvido que se alimente de ratos, preás, pequenas aves e alguns vegetais, se os encontra; e principalmente de caracóis, sapos, rãs, répteis e caranguejos que abundam nos campos planos e nos baixios, não nos rios”.

No segundo, Laureano Dourado (1920-1965), taxidermista do Museu Zoológico do Bosque Municipal de Ribeirão Preto, estado de São Paulo, escreveu: “Suas caçadas se limitam a pequenos animais e aves: alimenta-se também de vegetais […]. No cativeiro, o lobo alimenta-se de frutas: bananas, mamão, cana de açúcar e de dois a três frangos por semana”.

Por que destaco esses dois trechos? Em 1996, visitei um zoo em que os lobos-guarás eram alimentados exclusivamente com carne. Quando sugeri aos profissionais responsáveis pelo manejo dos animais que oferecessem mais frutas e menos carne, eles acharam estranho, mesmo tendo perdido um animal pela formação de cálculos renais. Em 2002, ao analisar a natalidade e mortalidade de lobos-guarás em zoos de várias partes do mundo, a partir de três mil registros, encontrei a cistinúria entre os distúrbios do sistema urinário de animais adultos e senis. É uma doença metabólica caracterizada pela excreção excessiva de cistina e outros aminoácidos na urina, favorecendo a formação de cálculos urinários e a obstrução das vias urinárias, que podem levar à ruptura da bexiga e à morte; dietas ricas em proteína animal podem agravar a formação de cálculos em animais predispostos. Ou seja, embora os hábitos alimentares do lobo-guará fossem conhecidos desde 1802, por dois séculos muitos espécimes mantidos em cativeiro foram alimentados com um cardápio inadequado e fatal.

Além disso, a partir de meados da década de 1990, dezenas de estudos sobre a dieta de lobos-guarás de vida livre foram realizados, unânimes na constatação da ingestão de grande quantidade de frutos. Estudos detalhados como o do pesquisador José Carlos Motta-Junior e sua equipe, do Departamento de Ecologia da Universidade de São Paulo, que revelou o consumo de pelo menos 120 espécies de frutos e pequenos animais silvestres pelos lobos-guarás, e baixa incidência de ataques a criações domésticas, derrubando a fama injusta da espécie como devoradora de galinhas.

Especial publicado pela revista Chacaras e Quintaes em 1942, destaca a morte de lobos-guarás infectados por Dioctophyme renale.

A partir da descrição de Azara, o entomólogo alemão Johann Karl Wilhelm Illiger (1775-1813) deu ao agüara-guazú o nome Canis brachyurus, de acordo com o Systema Naturae – cuja décima edição foi publicada em 1758 – criado por Linnaeus, que facilitou a organização e identificação das espécie. Carolus Linnaeus (1707-1778), também conhecido como Carl Linnaeus ou Carl von Linné – foi um naturalista e explorador nascido na Suécia, que inventou uma forma de organizar os seres vivos de acordo com as suas características morfológicas, agrupando-os a partir das suas semelhanças e diferenças. Linnaeus criou a taxonomia – a ciência da classificação de organismos vivos e extintos em categorias hierárquicas – e a nomenclatura binomial – que utiliza um nome composto formado por gênero (geralmente, um substantivo) e espécie (geralmente, um adjetivo) – para identificar cada ser vivo.

Em 1811, Illiger apresentou o artigo Ueberblick der Säugethiere nach ihrer Vertheilung über die Welttheile [Visão geral dos mamíferos segundo sua distribuição pelos continentes] – com 120 páginas – publicado em 1815, em Berlim, nos Abhandlungen der physikalischen Klasse der Königlich-Preussischen Akademie der Wissenschaften aus den Jahren 1804-1811 [Anais da Classe de Física da Real Academia Prussiana de Ciências dos anos 1804-1811].

Neste artigo, ele cita o agüara-guazú como membro do gênero Canis, o mesmo dos lobos, chacais e cães domésticos. Alguns anos depois, em 1820, o zoólogo e naturalista francês Anselme Gaëtan Desmarest (1784-1838) se referiu ao agüara-guazú como o lobo-vermelho Canis jubatus – adjetivo usado para designar animais que apresentam uma crina ou juba conspícua. Como o nome escolhido por Illiger já existia antes da publicação de Desmarest e se referia ao mesmo animal descrito por Azara, C. jubatus tornou-se um sinônimo de C. brachyurus.

Canis jubatus retratado na obra Mammalogie, ou, Description des espèces de mammifères [Mamalogia, ou, Descrição das espécies de mamíferos], de Desmarest, publicada em 1820: “Pelagem de um belo tom vermelho-canela; uma crina curta e escura percorrendo toda a extensão da coluna.
Canis jubatus colorido à mão, retratado na obra Erläuterungen zur Fauna Brasiliens… [Explicações sobre a fauna do Brasil: contendo ilustrações e descrições detalhadas de espécies animais novas ou insuficientemente conhecidas], do naturalista alemão Carl Hermann Burmeister (1807-1892), publicada em 1856 com base nos registros de sua expedição ao Brasil entre 1850 e 1852.

Mais alguns anos se passaram até que, em 1838, Charles Ferdinand Hamilton Smith (1776-1859), naturalista e ilustrador inglês, percebeu que o agüara-guazú – diferentemente dos lobos europeus, não forma alcateias, é solitário e menos agressivo, alimentando-se de pequenos animais e frutos, como registrou Azara – apresentava anatomia suficientemente distinta da dos Canis e criou, assim, o gênero Chrysocyon, exclusivo para a espécie que passou a ser identificada como Chrysocyon brachyurus (Illiger, 1815) – do latim, cão dourado da cauda curta –, descrito por Azara, mas registrado por Illiger de acordo com as regras que fariam parte, mais tarde, do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica.

O uso dos parênteses em torno do nome do “autor” e do ano da publicação do nome da espécie indica que ela foi originalmente descrita em um gênero diferente: Agüara-guazú, em 1802; Canis brachyurus, em 1813, publicado em 1815; Canis jubatus, em 1820; e, finalmente, Chrysocyon brachyurus a partir de 1838.

Como escrevi na coluna #esselivroéobicho, desde criança eu gosto de livros, revistas e produções televisivas e cinematográficas “de bichos”, com bichos, sobre bichos. Acho que cultivei um pouco mais de apreço pelos ursos – inclusive pelos de pelúcia – e pelos lobos. E, se no imaginário de muitas crianças o lobo é mau, no meu, nunca foi, a despeito da culpa inexorável de Chapeuzinho Vermelho pela má fama desses primos selvagens dos nossos terrivelmente adoráveis cães.

Criança, alienado das questões moralizantes do conto popular sobre perigo, ingenuidade, desobediência e passagem da infância para um mundo ameaçador povoado por “lobos sociais perigosos”, não desenvolvi antipatia pelo lobo, mas, sim, pelo caçador – que não existe na versão original do conto –, além de achar estranha a condição de aquela senhorinha acamada viver sozinha no meio da floresta. Ainda que o lobo-guará seja tímido e reservado, apesar de curioso, e esteja, nas relações de parentesco, mais próximo de uma raposa de pernas longas do que dos primos do hemisfério norte – Canis lupus –, deram a ele, talvez por conta do tamanho, o prenome “lobo”. Como diz o provérbio, “quem com porcos se mistura, farelo come” – sobrou para o nosso lobo-guará a fama injusta de mau… também a de comedor de galinhas.

“Se no imaginário de muitas crianças o lobo é mau — inclusive o lobo-guará —, a culpa inexorável é de Chapeuzinho Vermelho. Ainda que o lobo-guará seja tímido e reservado […] não desenvolvi antipatia pelo lobo, mas, sim, pelo caçador — na versão original do conto, ele não existe”.

À medida que eu crescia e avançava no tempo e nos estudos, buscava ter certeza sobre estudar a desde sempre almejada veterinária ou seguir pela biologia. Afinal, durante banhos demorados, eu frequentemente me via estudando mandarim para trabalhar com pandas-gigantes na China. Optei pela veterinária sem a tal certeza, embora me parecesse nobre e aventureiro, ao mesmo tempo, ser “médico” em O mundo animal, apresentado por Bill Burrud (1925-1990) na década de 1970 – ou nos documentários da National Geographic. Como as espécies exóticas — sobretudo as da fauna africana — sempre estiveram mais presentes nessa minha existência do que as nativas — por falta de publicações e conteúdos sobre estas —, não sei precisar em qual momento da juventude fui seduzido pelas singularidades do agüara-guazú

A partir dos anos noventa, comecei a reunir bibliografia científica sobre o lobo-guará. O início despretensioso foi se tornando uma obrigação prazerosa e exaustiva. A internet e o correio eletrônico ainda não eram difundidos, e a busca por referências dependia de consultas a bibliotecas, catálogos, periódicos impressos e da correspondência com pesquisadores e instituições. Era possível telefonar, enviar uma carta ou um telegrama, passar horas na rica biblioteca da escola de veterinária na qual me graduei, acompanhar o manejo da espécie no zoo de Belo Horizonte — como o mais longevo estagiário, acompanhei e realizei necrópsias de pelo menos uma dezena de espécimes. O mesmo zoo, anos mais tarde, receberia uma jovem loba-guará que havia sido destinada pelo Ibama ao criadouro científico Vila Lobos, construído por mim para estudar a fisiologia da reprodução da espécie e obter sucesso reprodutivo pouco experimentado nos zoos, sobretudo brasileiros. A história desse devaneio científico fica para outra ocasião. O zoo foi também a instituição que mais contribuiu para a realização do estudo sobre vacinação, imunizando o maior número de animais e realizando coletas de sangue mensais.

Na primeira fileira, o divulgador da vida selvagem e influenciador, Bill Burrud. Na segunda, o influenciado, autor desta coluna.

Em 1996, ingressei no mestrado – a “Ecologia, conservação e manejo da vida silvestre” não queria um veterinário, a “Veterinária” aceitou o lobo-guará com vozes protestantes, mas essa história fica para outra ocasião – e passei a ter “acesso discado”, por meio da universidade, à tão promissora internet. E, à medida que ela se expandia e se popularizava, passaram a surgir os blogues – página pessoal em que os usuários veiculavam conteúdos e recebiam comentários relacionados a um determinado assunto pessoal ou área de interesse profissional. Foi a partir de um modelo de blogue oferecido gratuitamente pelo Yahoo! — portal da internet que reunia ferramentas de busca, notícias, correio eletrônico e outros serviços digitais – que surgiu a primeira página da BIBLIOGRAFIA SOBRE LOBO-GUARÁ Chrysocyon brachyurus (Illiger, 1815).

Àquela altura, eu já tinha reunido uma quantidade razoável de referências para publicá-las. Como os leiautes predefinidos dos blogues não me pareciam adequados para apresentar uma lista de referências, eu comecei a escarafunchar a linguagem por trás das páginas da internet e, a partir de tentativas e erros, fui moldando o leiaute ao meu gosto. Era muito, mas muito trabalhoso atualizar a página com novas referências, que seguiam o padrão burocrático da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Com o passar do tempo, aquela tarefa foi ficando mais fácil e, confiante, cheguei a produzir outras duas páginas para divulgar referências sobre os outros canídeos selvagens brasileiros e os meus estudos sobre imunização de lobos-guarás com vacinas produzidas para cães domésticos.

Essas páginas ficaram “no ar” alguns anos, até que o Yahoo! encerrou a manutenção gratuita dos blogues. A página sobre vacinação reapareceu quando comecei a produzir conteúdo de divulgação científica para o Canal Ciência. A lista de referências dos outros canídeos, abandonei. A bibliografia sobre o lobo-guará fui atualizando em um arquivo do “bom e velho Word”, sem o rigor das regras da ABNT, e sem divulgá-la na internet, porque essa tarefa me exigiria muito tempo e uma disposição rara de se encontrar em depressivos não medicados. Havia programas de gerenciamento de referências bibliográficas desde o início da década de 1980, mas ferramentas integradas à internet só se difundiram a partir dos anos 2000. Da mesma forma, usá-las exigiria tempo e disposição por conta da quantidade de referências.

Em 1984, o Tierpark Dortmund (Zoo Dortmund), na Alemanha, documentou em imagens o nascimento de lobinhos-guarás. A foto mostra a fêmea, à esquerda, e o macho, à direita, lambendo um dos recém-nascidos.

A bibliografia foi bem recebida pelos especialistas em canídeos selvagens, e obtive referências fundamentais com pesquisadores renomados como James Dietz – que realizou um estudo pioneiro, de médio prazo, sobre a ecologia do lobo-guará –; David Macdonald – fundador do Canid Specialist Group, da União Internacional para a Conservação da Natureza – IUCN –; Claudio Sillero-Zubiri – coautor do Canids: foxes, wolves, jackals and dogs: status survey and conservation action plan –; Devra Kleiman e Melissa Rooden – do Smithsonian’s National Zoo & Conservation Biology Institute, sendo Melissa coordenadora, por muitos anos, do Maned Wolf SSP [Plano de Sobrevivência de Espécies, da Associação Americana de Zoológicos] –; e Bernd Matern, do Zoo Frankfurt, responsável pelo International Studbook for the Maned Wolf [Livro internacional de registros de nascimentos e mortes de lobos-guarás em zoos] no período 1981-2002.

De modo geral, foi mais fácil obter publicações com estrangeiros do que com brasileiros. Vez ou outra, recebi pedidos para que a lista de referências fosse compartilhada. Lembro-me de um jovem estudante que, após recebê-la, pediu, não satisfeito, que eu destacasse as “principais referências”. Ignorei; achei o pedido descabido e o remetente um folgado. Em 2005, uma oficina de trabalho no Parque Nacional da Serra da Canastra reuniu dezenas de profissionais para discutir a conservação do lobo-guará. O encontro gerou o Plano de Ação para a Conservação do Lobo-Guará, que definiu, entre um conjunto de ações, a criação de um banco de publicações científicas sobre o lobo-guará. Como colaborador da ação, disponibilizei a bibliografia compilada. O banco de publicações, contudo, não chegou a ser implementado.

Capa da 10ª edição da Bibliografia corrente sobre o lobo-guará, publicada em jun. 2026.

A Bibliografia corrente sobre o lobo-guará completou três décadas reunindo publicações científicas e toda sorte de registros sobre o lobo-raposa – acumuladas desde 1995 e atualizadas até maio de 2026 —, e reúne cerca de 1.500 referências a partir de 1802, organizadas em capítulos: Filogenia & Taxonomia; Anatomia & Morfologia; Thésis (teses, dissertações e monografias); Livros, capítulos e manuais; Artigos em periódicos científicos e revistas indexadas; Comunicações em congressos, simpósios e oficinas; Publicações técnicas; Divulgação científica, reportagens, multimeios e outras publicações; Referências históricas brasileiras; Para as crianças (livros e vídeos); Diversitas (o lobo-guará estampado em muitas coisas) e Arte & Estética (desenhos, pinturas, bordados, marchetaria etc.).

Parte das referências está identificada com marcadores de temas: alimentação, atropelamento, divulgação, ecologia e conservação in situ, genética, manejo e conservação ex situ (principalmente estudos com animais de zoológicos), registro fotográfico, reprodução, monitoramento remoto, veterinária e vocalização. Com base na contagem de 1.030 ocorrências com marcadores temáticos – esse número não corresponde a 1.030 referências únicas, pois uma mesma referência pode receber dois ou mais marcadores –, Veterinária (34%), Ecologia e conservação in situ (22%), Manejo e conservação ex situ (14%) e Alimentação (12%) somam 838 ocorrências, equivalentes a 82% do total de marcações.

Esses números também revelam que o lobo-guará, com suas orelhas grandes e patas compridas – ao mesmo tempo elegante e desengonçado – seduziu dezenas de pesquisadores que dedicaram meses ou anos a pesquisas que revelassem o modo de vida dessa espécie tão singular.

A bibliografia não é uma lista exaustiva. É possível que eu tenha deixado escapar artigos científicos, trabalhos de final de curso e, principalmente, material apresentado em congressos e encontros. Certamente, muitas matérias e reportagens publicadas em jornais e revistas não foram encontradas. Ainda assim, penso que esse compilado histórico é significativo, sugerindo que o lobo-guará é o mamífero mais estudado em seu ambiente natural no Brasil, assim como o veado-de-cauda-branca Odocoileus virginianus é frequentemente apresentado como o grande mamífero silvestre mais estudado do mundo, sobretudo pela enorme quantidade de pesquisas ecológicas e de manejo realizadas na América do Norte. A décima e última edição da Bibliografia corrente do lobo-guará ganhou ficha catalográfica e ISBN. Última porque não mais se justifica a busca ativa por referências. É possível, por exemplo, programar o Google Acadêmico para enviar um aviso toda vez que um artigo sobre o lobo-guará é compartilhado na internet, inclusive quando alguma publicação sobre o guará é citada na lista de referências de trabalhos sobre outras espécies. O que foi feito ao longo de 30 anos, com uma mistura de persistência e exaustão, hoje em dia a inteligência artificial faz em três minutos. Outros tempos, outras tecnologias, outras formas de obter dados, informação e conhecimento que contribuam para a preservação dos ecossistemas e para a conservação do lobo-guará.

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