Um dos principais desafios hoje na conservação do mico-leão-dourado é superar o desmatamento histórico acumulado na Mata Atlântica e a consequente fragmentação das florestas. No centro das iniciativas em prol do primata, a Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) já acumula mais de 450 hectares recuperados de vegetação nativa nas últimas décadas. Para fazer esse trabalho ecoar além dos limites do habitat do mico, a organização inaugurou na última semana o Centro de Referência em Restauração Ecológica (CERRE).
O centro fica localizado em Silva Jardim (RJ), vizinho ao Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado que ganhou uma exposição educativa a céu aberto sobre restauração. O objetivo do centro é ser um espaço de pesquisa, capacitação e engajamento social sobre a restauração da Mata Atlântica, acompanhando a recuperação de uma propriedade rural degradada de 130 hectares, a Fazenda Perdida, adquirida pela AMLD e já com status de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).
A iniciativa é resultado de uma ampla aliança com instituições de pesquisa, universidades, o PELD Rede (Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração), viveiristas e apoiadores do programa de conservação do mico-leão-dourado.
“O CERRE é um marco, e é importante deixar isso bem claro. É um centro de referência que reúne um histórico de pesquisa muito antigo – de 30 e 40 anos – da botânica, geologia, ecologia. Ele é um marco pois vai permitir que a gente faça estudos agora para olhar a longo prazo, em vários temas. E é referência construída, ela não foi dada, graças a esse histórico da Associação Mico-Leão-Dourado, da UFRRJ, UENF, PUC Rio, de várias universidades que fazem estudos aqui. Isso permitiu com que hoje nasça esse Centro, que como o nome diz, é uma referência, uma luz que vai iluminar novos estudos sobre o tema”, ressalta Jerônimo Sansevero, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e coordenador do PELD Rede.
De acordo com o coordenador de Restauração da AMLD, Carlos Alvarenga, o centro tem a missão de ser um amplificador de experiências e práticas eficientes de restauração. “O Centro quer treinar os estudantes, num laboratório a céu aberto. Haverá oficinas, workshops, simpósios, cursos, tudo para incentivar as melhores práticas com o solo e agroecológicas, como os Sistemas Agroflorestais (SAFs). O Centro vai mostrar que a restauração pode gerar renda e fortalecer a cadeia produtiva da região”, explica o engenheiro florestal.
Manejo de pastagem
Durante o evento, realizado na última sexta-feira (17), foi inaugurada também uma Unidade Demonstrativa de Manejo de Pastagem numa propriedade parceira da AMLD chamada Sítio Aldeia Velha.
No local serão aplicadas técnicas para o melhor manejo da pastagem, visando o aumento da produção impulsionado por práticas integradas à proteção e recuperação dos recursos naturais.
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