
O anúncio da nova licença foi dado pela senadora e presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu, em evento de combate à febre aftosa no interior do estado. “Hoje no Tocantins para se tirar a licença ambiental leva-se quase que dois anos. São de seis a oito licenças ambientais a um custo de 60 mil reais, se o cidadão tiver um hectare ou se o cidadão tiver 1000 hectares. Essa é a forma que alguns governantes imprimem de oferecer dificuldades para vender facilidades, para se instalar balcão de negócios, propina e corrupção no serviço público”, disse com empolgação a senadora.
O anúncio oficial da LAUtins será dado na abertura da Feira Agropecuária do Tocantins (Agrotins), que acontece entre os dias 10 e 14 de maio, em Palmas. Não se sabe ainda, se a licença será lançada como Projeto de Lei (PL) ou Medida Provisória (MP).
O que muda
![]() |
Com receio de entrar em detalhes sobre a nova licença, antes que do anúncio oficial do governo, o presidente da Naturatins disse que o modelo vai aperfeiçoar o trabalho do órgão. “O objetivo é unir a agenda prevista no Código Florestal com a Agenda Política Nacional de Meio Ambiente, além das respectivas legislações estaduais, tanto a florestal como ambiental, em uma licença só”, disse.
Nas entrelinhas da criação da licença unificada, existe a pressão dos produtores rurais tocantinenses para obterem regularização junto ao órgão ambiental. Segundo o presidente, mais de 70 mil propriedades estão sem a licença no Estado.
O impulso que moveu a medida que concederá licenças ambientais em “grande escala”, é que no final de 2010 o Banco do Brasil aprovou uma norma que restringe o financiamento somente aos produtores licenciados em conformidade com a legislação ambiental. A expectativa é que essa norma entre em vigor a partir de julho deste ano. Com a situação regularizada no Naturatins, os produtores rurais não terão empecilho na obtenção de crédito junto ao sistema bancário.
Conforme explicou Tadeu, o prazo de validade da licença será de um a três anos, dependendo do tamanho da área produtiva. “Caso ela não se encaixe na legislação neste tempo, terá a licença caçada”, completa o presidente. “A partir do momento em que o produtor entrar no órgão terá sua situação regularizada”, finalizou.
Dedo da família Abreu
Apesar da Conselho Estadual de Meio Ambiente (COEMA) ter analisado a Minuta de Resolução que dispõe sobre o Licenciamento Ambiental Unificado, a decisão política parece ter apressado a criação da licença. De acordo com funcionário do Naturatins que não quis se identificar, o deputado federal Irajá Abreu, filho da senadora Kátia Abreu, “atropelou o processo”. Durante as reuniões do COEMA, Irajá, que investe na “plantação de florestas” no Tocantins havia chegado no órgão com a “lei pronta”, e durantes horas “discutiu” com o presidente do Naturatins a sua proposta.
De acordo com o Naturatins, os detalhes da LAUtins só serão divulgados após o anúncio oficial do governo.
{iarelatednews articleid=”24556,24814,24630″}
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Brasil tem mais de 3,7 mil plantas ameaçadas de extinção
Lista atualizada pelo Ministério do Meio Ambiente alerta para aumento do grau de ameaça do pau-brasil e para possível extinção de duas plantas da Mata Atlântica →
Proteger a biodiversidade exige conectar territórios
Brasil levou a COP 17 da Biodiversidade proposta que reforça necessidade de investir em corredores de biodiversidade e redes ecológicas que não se limitem às áreas protegidas →
MMA abre inscrições para sete vagas da sociedade civil na Comissão Nacional de Biodiversidade
Organizações ambientalistas podem se inscrever até 8 de novembro para participar da eleição de representantes no colegiado durante o biênio 2027–2028 →

