
No primeiro dia de plenárias da rede – que desde 2005 agrega 40 grandes cidades, responsáveis por 12% das emissões de gases estufa e 21% do PIB mundial – o destaque ficou por conta de um acordo firmado com o Banco Mundial. Não se falou em valores imediatos, mas Robert Zoellick, presidente do banco, garantiu que o fundo verde para as cidades pode chegar a 50 bilhões de dólares.
Entre os objetivos do banco com a parceria estão desenvolver métodos para medir emissões de gases estufa nas cidades e avaliar as práticas que funcionam. “Como vou arrecadar fundos se não sei o que anda sendo feito?”, questionou Zoellick, que enfatizou também a necessidade de pensar a adaptação dos grandes conglomerados urbanos às mudanças do clima. “É preciso dar suporte para que os prefeitos melhorem os serviços básicos e reduzam a vulnerabilidade de suas cidades”, enfatizou.
Quem também atraiu holofotes foi o ex-presidente americano Bill Clinton, que falou em nome da The Clinton Foundation, parceira da C40. Elogiou o biocombustível brasileiro como sendo o mais eficiente do mundo, afirmou que o país precisa rever a política de criação de gado na Amazônia e chamou lixo de riqueza: “Se fecharmos aterros sanitários, recliclarmos e devolvermos este carbono ao solo resolveríamos problemas de saúde pública, geraríamos emprego e devolveríamos terra ao estado. Estas coisas são minas de ouro”, garantiu.
Entre as boas iniciativas enfatizadas no evento, o retrofit, ou modernização de construções antigas, que em Melbourne, Áustrália, promete gerar 12 bilhões de dólares em economia energética e 8 mil empregos e o programa de geração de energia a partir do lixo em São Paulo, que nas contas do prefeito Gilberto Kassab faz uso de todas as 16 mil toneladas de rejeito produzidos diariamente na cidade.
Ao fim do dia, Kassab e a vice-prefeita de Paris, Anne Hidalgo, ampliaram a cooperação entre as cidades, em acordo para as áreas de desenvolvimento urbano, cultura, tratamento de resíduos e saneamento.
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*Juliana Tinoco é repórter free-lancer em São Paulo
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