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Publicado originalmente por Observatório do Clima
A última geleira remanescente da Indonésia pode desaparecer até o fim de 2026 ou no início de 2027, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (7) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). Em 2025, a cobertura de gelo em Puncak Jaya, conhecida como Pirâmide Carstensz, na ilha indonésia de Papua, correspondia a apenas 2% da área registrada em 1988.
O desaparecimento é mais um sinal da pressão que o aquecimento global exerce sobre as massas de gelo do planeta. Um artigo publicado no ano passado na revista Nature mostrou que cerca de 73% da perda de gelo nas montanhas ao redor do mundo ocorreu somente entre 2000 e 2023.
A geleira tropical de Papua faz parte do Pacífico Sudoeste, região que também abriga as geleiras da Nova Zelândia. Segundo a OMM, a Nova Zelândia registrou uma redução de 42% no volume de geleiras do país entre 2005 e 2023, sendo que apenas entre abril de 2022 e março de 2023 houve uma diminuição de 6,5%.
O derretimento de geleiras reduz a disponibilidade de água doce para as populações que dependem do degelo, contribui para o aumento do nível do mar e reduz a área da superfície terrestre que reflete grande parte da radiação solar, processo essencial para manutenção do equilíbrio climático do planeta.
A região do Pacífico Sudoeste, inclusive, já enfrenta uma rápida elevação do nível do mar. Entre 1999 e 2025, a taxa média regional de aumento foi de 3,7 milímetros por ano, com números mais altos registrados ao longo da costa oeste da Austrália (4 milímetros por ano). O nível do mar também é elevado pelo aquecimento dos oceanos por causa da expansão térmica e pelo derretimento das calotas polares e mantos de gelo.
“O aumento do nível do mar ameaça as ilhas do Pacífico, onde mais da metade da população vive a 500 metros da costa”, diz o relatório.
O ano de 2025 foi o segundo mais quente já registrado na região, com temperatura média 0,37°C acima da média de 1991-2020. Na comparação com o período de 1961-1990, a anomalia chegou a 0,75°C.
A temperatura média da superfície do mar também foi a segunda mais alta já registrada, ligeiramente abaixo do recorde de 2024. Esse aquecimento favorece ondas de calor marinhas, que, segundo o relatório, estão se tornando mais frequentes, mais duradouras e mais intensas em todo o sudoeste do Pacífico.
“Em toda a Ásia e no Pacífico, o calor está intensificando os riscos de múltiplos desastres, que se interligam com os sistemas alimentares, a saúde pública, a infraestrutura e os oceanos, e exercendo novas pressões sobre a saúde e os meios de subsistência”, diz Armida Salsiah Alisjahbana, secretário-executivo da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico.
A quantidade de calor armazenada nas áreas mais profundas dos oceanos — medida pelo conteúdo de calor oceânico (CCO) — continua aumentando. Os recordes foram observados ao sul da Austrália, no sul do Mar da Tasmânia, em partes do Pacífico Norte tropical entre as Filipinas e o Havaí, e localmente ao sul de Sumatra, Indonésia.
“Para muitos países e territórios do Pacífico Sudoeste, o oceano é fundamental para os meios de subsistência, as economias e a resiliência. Em 2025, a região sofreu com o aquecimento dos oceanos, a elevação do nível do mar, ondas de calor marinhas e acidificação dos oceanos, além de ciclones tropicais e a contínua perda de gelo das geleiras tropicais”, comenta Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.
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