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O desafio da valoração

Em livro de estudos de caso sobre valoração ambiental, Ronaldo Serôa, economista do IPEA, mostra os valores e os caminhos para preservar a floresta amazônica.

9 de junho de 2006 · 20 anos atrás
  • Eduardo Pegurier

    Mestre em Economia, é professor da PUC-Rio e conselheiro de ((o))eco. Faz fé que podemos ser prósperos, justos e proteger a biodiversidade.

Os recursos naturais não têm etiqueta de preço. Será que o valor deles é infinito, como argumentariam os puristas?

O debate acabou de ficar enriquecido. Ronaldo Serôa, economista do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), lançou “Economia Ambiental”, um livro que reúne estudos de casos sobre valoração dos recursos naturais e uso de instrumentos econômicos para incentivar a sua proteção.

Ronaldo poderia ter sido mais didático e preocupado em amaciar a teoria para os interessados não-técnicos. Mas embora a densidade de economês seja alta, seus leitores encontrarão, igualmente, farto material para quem gosta ou quer aprender sobre o assunto, apresentado por um dos nossos maiores especialistas. Ele analisa as seguintes situações, todas brasileiras: o custo do desmatamento na Amazônia; políticas de redução do lixo e reaproveitamento de sucatas; a valorização econômica da água; e o valor do Parque Estadual do Morro do Diabo, no interior de São Paulo.

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O caso da Amazônia é interessantíssimo. As atividades econômicas desenvolvidas em áreas desmatadas podem valer mais do que a floresta. Mas somando os benefícios que essa última gera para o mundo, as árvores superam de longe a renda da soja ou do gado.

Como é o processo da valoração ambiental?

Baseado nos conhecimentos ecológicos que relacionam a produção econômica com a disponibilidade de recursos ambientais, os métodos de valoração procuram monetizar a contribuição da natureza. E não param aí. O valor subjetivo que as pessoas atribuem ao recurso também é computado.

O Valor Total do Recurso Ambiental, ensina Serôa, é a soma dos seguintes fatores, exemplificados abaixo para o estudo sobre a Amazônia:

. Valor de Uso Direto – ganhos econômicos com a utilização imediata dos recursos naturais. Na Amazônia, eles viriam do extrativismo madeireiro; de derivados da floresta como o látex, a piaçava e a juta; e do ecoturismo.

. Valor de Uso Indireto – um benefício que deriva da existência do recurso natural, como é o caso do seqüestro de carbono proporcionado pela mata.

. Valor de Opção – representa o potencial de ganhos futuros por preservar o recurso. Nesse caso, representado pelas possibilidades econômicas da biodiversidade na composição de remédios e cosméticos.

. Valor de existência – esse último, também chamado de valor de não-uso, é tão importante quanto sutil de quantificar. Representa aquilo que as pessoas estão dispostas a pagar por valores culturais ou altruísticos para proteger a Amazônia. Ele é descoberto através de pesquisas de campo semelhantes às eleitorais. São conduzidas com a aplicação de questionários, onde os entrevistados respondem que valores aceitariam desembolsar para preservar a floresta. No caso, elas foram feitas nos países ricos, onde a maioria dos habitantes pode pagar e conhece o problema do desmatamento amazônico.

Pelos cálculos do autor, os custos do desmatamento são os seguintes:

Por isso mesmo, como mostra o estudo acima sobre a Amazônia, não despreze o cálculo econômico. Mais frequentemente do que se pensa, a racionalidade por trás dele pode ser a maior aliada das causas nobres. Já que na política essa qualidade, em qualquer lugar do mundo, costuma faltar.

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