Análises

Dilema Vegetariano

De Daniel Di Giorgi Toffoli Analista Ambiental do IBAMACom relação à matéria entitulada “Dilema Vegetariano”:Sem entrar em considerações moralistas, éticas e de opções nutricionais, vejo o aspecto da criação bovina de uma outra ótica. O Brasil tem hoje cerca de 180 milhões de cabeças de gado que ocupam cerca de 100 milhões de hectares, transformando – na grande maioria das vezes – floresta em pasto. Nada melhor para lembrar que as próprias matérias de O Eco. A matéria entitulada “Floresta de Bois” dizia que “um rebanho de 57,4 milhões de cabeças de gado pasta em campos da Amazônia onde antes, na maioria dos casos, havia floresta. O último censo agrícola do Brasil, realizado em 1995, diz que 77% das áreas desmatadas na região tinham sido convertidas em pastagens”. Além disso, esse rebanho que é considerado o maior do mundo não gera a maior exportação de carne do mundo, perdendo para Austrália, o que pode significar duas coisas: 1) a carne é consumida aqui, saciando a fome da população brasileira; ou 2) a produtividade média dos pastos brasileiros não tem competitividade. Fiquem com a opção que lhes convier. Outro fato importante é que este “Brasil de bois” emite metano que é 21 vezes mais prejudicial à atmosfera que o gás carbônico (acha pouco, pois o Brasil é acusado de ser um grande emissor de poluentes atmosféricos e são exatamente estes gases metanos expelidos pelo rebanho de 180 milhões de cabeças de gado bovino que comem capim, além das queimadas. É o vilão do efeito estufa no mundo tupiniquim) e bebe em média 20 vezes mais água que o “Brasil de humanos”. A água também é receptáculo de grande parte das fezes desse “Brasil de bois”. A criação extensiva de bois também é uma das primeiras desculpas para tornar viável economicamente uma área de floresta e ocupação ilegal de terras. Com dois ou três bois, às vezes muito mais, invadem inclusive terras públicas e tentam criar a "ditadura do fato consumado", i.e., já está ocupado (vide caso recente no Parque Nacional da Serra da Bocaina). Isto é mais comum do que parece. Será que estamos subsidiando ambientalmente os carnívoros? Talvez não, até porque nem sempre esta carne vai para o mercado brasileiro e nem sempre esta carne vai para o estômago humano (vide doença da Vaca Louca). Talvez – parodiando o final da matéria – quem provavelmente acabará destruído é a raça humana, ficando os bois, que são vegetarianos, livres de nós.Atenciosamente,PS: Não sou vegetariano, mas tenho evitado carne o máximo possível depois de ver in loco alguns fatos que coloco.

Redação ((o))eco ·
12 de maio de 2006 · 20 anos atrás

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