Salada Verde

Deputado ruralista quer derrubar vetos do Código Florestal

Ronaldo Caiado (DEM-GO) quer aproveitar a análise dos 3 mil vetos que serão postos em votação em fevereiro para derrubar vetos de Dilma.

Redação ((o))eco ·
28 de janeiro de 2013 · 13 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
A cédula, em formato de livro, com os 3.060 vetos, tem exatas 463 páginas e seria analisada em dezembro pelo Congresso Nacional. Votação foi adiada para fevereiro. Foto: Antonio Cruz/ABr.
A cédula, em formato de livro, com os 3.060 vetos, tem exatas 463 páginas e seria analisada em dezembro pelo Congresso Nacional. Votação foi adiada para fevereiro. Foto: Antonio Cruz/ABr.

As discussões sobre a regulamentação do Código Florestal já começaram, mas no Congresso Nacional, deputados da bancada ruralista não deram o assunto por encerrado. Liderados pelo vice-líder do DEM, o deputado Ronaldo Caiado (GO), parlamentares estão se articulando para tentar derrubar os vetos que a presidente Dilma vez no texto da lei florestal.

A parte da lei que trata da recuperação de áreas de preservação permanente é o trecho que os parlamentares da bancada ruralista querem restaurar. “Foi acordado que a recuperação das áreas que já estão produzindo teriam uma escala em menor proporção, ou seja, elas teriam de ser avaliadas sobre a real necessidade de sua preservação. E, no caso dos cursos d’água acima de 10 metros, teríamos uma graduação menor na metragem. Esse foi o acordo feito e que, infelizmente, não foi respeitado pela presidente”, argumenta Caiado.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



A oportunidade para a articulação da derrubada de trechos específicos vetados pela Presidente Dilma no Código vem da análise dos 3 mil vetos presidenciais que não foram apreciados pelo Congresso desde o governo de Fernando Henrique Cardoso. O Supremo Tribunal Federal determinou que o Congresso deve analisar, em ordem cronológica, os mais de 3 mil vetos em pauta antes de votar os vetos à distribuição dos lucros do pré-sal.

A legislação determina que, em caso de veto do presidente, uma comissão seja formada por deputados e senadores, que apreciarão o veto. Porém, para formar a comissão, é necessário que o presidente do Congresso a convoque. Como não há punição caso ele se omita, fica-se por isso mesmo. Resultado: um calhamaço formado por 463 páginas com milhares de vetos estão no limbo esperando para serem apreciados pelos parlamentares.

Para derrubar um veto é preciso que as duas casas (Câmara e Senado) votem, em sessão conjunta, com maioria absoluta de todos os 513 deputados e 81 senadores. No caso da Câmara são necessários 257 deputados e no Senado 41 senadores. A sessão é conjunta, mas a votação, que é secreta, acontece separada: votam primeiro os deputados, depois os senadores. Há urnas diferentes na sessão, portanto, se o veto for mantido em uma casa, nem é necessário contar os votos da outra.

Vetos importantes, como o da regulação dos investimentos públicos em saúde, prevista na chamada Emenda 29, e do fator previdenciário, uma fórmula usada para calcular o valor de aposentadorias, estão nessa linha de frente para serem votadas.

É essa a oportunidade que alguns parlamentares enxergam para modificar, ainda mais, o Código Florestal, lei que foi revogada em maio do ano passado.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
3 de julho de 2026

Tuberculose mata três macacos no Cetas-RJ; centro está em quarentena

Confirmação da doença que levou a óbito macacos-pregos no Cetas de Seropédica leva Ibama a estender suspensão no recebimento de novos animais

Salada Verde
3 de julho de 2026

PL que retarda ação de órgãos ambientais por dois anos tem urgência aprovada

Proposta de deputado do PL prevê que órgãos ambientais aguardem dois anos para aplicar medidas como embargos e apreensões em propriedades de até 560 hectares

Salada Verde
3 de julho de 2026

Enchentes do Rio Grande do Sul fundamentam novo conceito para identificar áreas de risco

Chamada de Zona de Arraste, nova classificação nomearia fenômeno onde a força da natureza transforma uma inundação em um fenômeno de alta capacidade destrutiva

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.