![]() |
As discussões sobre a regulamentação do Código Florestal já começaram, mas no Congresso Nacional, deputados da bancada ruralista não deram o assunto por encerrado. Liderados pelo vice-líder do DEM, o deputado Ronaldo Caiado (GO), parlamentares estão se articulando para tentar derrubar os vetos que a presidente Dilma vez no texto da lei florestal.
A parte da lei que trata da recuperação de áreas de preservação permanente é o trecho que os parlamentares da bancada ruralista querem restaurar. “Foi acordado que a recuperação das áreas que já estão produzindo teriam uma escala em menor proporção, ou seja, elas teriam de ser avaliadas sobre a real necessidade de sua preservação. E, no caso dos cursos d’água acima de 10 metros, teríamos uma graduação menor na metragem. Esse foi o acordo feito e que, infelizmente, não foi respeitado pela presidente”, argumenta Caiado.
A oportunidade para a articulação da derrubada de trechos específicos vetados pela Presidente Dilma no Código vem da análise dos 3 mil vetos presidenciais que não foram apreciados pelo Congresso desde o governo de Fernando Henrique Cardoso. O Supremo Tribunal Federal determinou que o Congresso deve analisar, em ordem cronológica, os mais de 3 mil vetos em pauta antes de votar os vetos à distribuição dos lucros do pré-sal.
A legislação determina que, em caso de veto do presidente, uma comissão seja formada por deputados e senadores, que apreciarão o veto. Porém, para formar a comissão, é necessário que o presidente do Congresso a convoque. Como não há punição caso ele se omita, fica-se por isso mesmo. Resultado: um calhamaço formado por 463 páginas com milhares de vetos estão no limbo esperando para serem apreciados pelos parlamentares.
Para derrubar um veto é preciso que as duas casas (Câmara e Senado) votem, em sessão conjunta, com maioria absoluta de todos os 513 deputados e 81 senadores. No caso da Câmara são necessários 257 deputados e no Senado 41 senadores. A sessão é conjunta, mas a votação, que é secreta, acontece separada: votam primeiro os deputados, depois os senadores. Há urnas diferentes na sessão, portanto, se o veto for mantido em uma casa, nem é necessário contar os votos da outra.
Vetos importantes, como o da regulação dos investimentos públicos em saúde, prevista na chamada Emenda 29, e do fator previdenciário, uma fórmula usada para calcular o valor de aposentadorias, estão nessa linha de frente para serem votadas.
É essa a oportunidade que alguns parlamentares enxergam para modificar, ainda mais, o Código Florestal, lei que foi revogada em maio do ano passado.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Quando o clima muda, a restauração também precisa mudar
Na RPPN Papagaio-de-Cara-Roxa, antecipação do plantio e escolha de espécies resistentes ao alagamento mostram como a ciência pode orientar a recuperação de áreas naturais diante de um El Niño intenso →
Quem decide o destino de bilhões em políticas ambientais no Brasil?
Os bastidores da definição dos indicadores da biodiversidade e porque, na nossa opinião, o processo foi falho →
Marcas da pelagem funcionam como “impressão digital” de tamanduás-bandeira
Pesquisa faz catálogo visual inédito e mostra como os padrões nos pelos dos Myrmecophaga tridactyla ajudam a distinguir os indivíduos →


