O Eco+ | Edição #293 | maio/2026
24 de maio de 2026
Começamos na segunda-feira a publicar as reportagens da 2ª edição da Bolsa Reportagem Vandré Fonseca, concedida pelo ((o))eco com apoio da Fundação Amazônia Sustentável e Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Foram publicadas o trabalho de três jovens jornalistas: a reportagem de Tainá Junqueira, sobre a importância das agroflorestas, a de Beatriz Senio, sobre uma tecnologia de dessalinização movida por energia solar que tem dado certo em uma comunidade no sertão paraibano e um podcast de três episódios de Ramón Raquelly intitulado Oásis da Leste, que conta a história de como a restauração da vegetação às margens de um córrego criou o maior parque linear de São Paulo. Apreciem.
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Como Palmas (TO) tem se destacado como a capital mais arborizada da Amazônia Legal e quais os desafios que isso gera ao planejamento urbano é tema da reportagem de Alice Martins Moraes para ((o))eco esta semana. Segundo o Censo Demográfico 2022, cerca de 88,7% das vias de Palmas têm pelo menos uma árvore. A metodologia utilizada pelo IBGE considera a porcentagem de árvores plantadas no entorno dos domicílios, podendo ser ao longo da calçada e/ ou em canteiro, mesmo que apenas em parte. Para o presidente da Fundação Municipal de Meio Ambiente (FMA), Isac Braz da Cunha, a quantia conquistada ainda não é o suficiente: “É nossa prioridade máxima aumentar o número de árvores. Até o final deste governo [2028] vamos atingir mais 100 mil mudas, com certeza”, promete. “Estamos apostando na arborização para manter o conforto térmico diante das mudanças climáticas. Não somos uma cidade com muitos poluentes e confiamos nas árvores para manter o clima agradável”, complementa.
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Apesar de ser pioneiro em relação à legislação de clima, as metas referentes à prevenção de desastres de Pernambuco ainda aparecem de forma tímida, em um estado que sofre historicamente um quadro recorrente de desastres agravados por extremos climáticos, com registros intensos ao longo dos últimos anos. Períodos extremos de estiagem e escassez hídrica atingem tipicamente o Semiárido, ao passo que episódios de chuva intensa castigam áreas urbanas e costeiras. É o que reporta Yamini Benites, em reportagem que explora a timidez com que a adaptação climática aparece na política estadual. Fábio Ishisaki, assessor de Políticas Públicas do Observatório do Clima, afirma que o Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática de Pernambuco (PEAR-PE) – anunciado em maio de 2025 e que está em fase de elaboração, com previsão de conclusão até o fim de 2026 – apresenta medidas de adaptação para áreas urbanas e costeiras de forma pulverizada ao longo de outros pontos, sem ações específicas para áreas vulneráveis ou condições que facilitem a saída de moradores de zonas de risco. “A resposta ao desastre tem que ser planejada antes, para que o desastre não ocorra. Se não você vai agir quando alaga, quando desbarranca, quando pessoas morrem. Acaba sendo uma agenda mais reativa do que precaucional”, diz.
Boa leitura!
Redação ((o))eco
Participe do webinar Histórias que Engajam: primatas como porta-vozes da conservação!
No dia 27 de maio, a partir das 9h (horário de Brasília), ((o))eco reúne jornalistas, pesquisadores e comunicadores para discutir os desafios da divulgação científica e do jornalismo ambiental no Brasil, tendo a primatologia como ponto de partida do debate. O webinar é gratuito e será transmitido pelo nosso canal do Youtube. Corra e garanta sua inscrição!
· Destaques ·
Plantar água: o superpoder das agroflorestas
Estudante desenvolveu tecnologia para enfrentar a escassez de água no Sertão
O papel das pessoas na recuperação de um rio
A capital das árvores? Como Palmas tenta expandir sua cobertura verde
Pernambuco foca em carbono e ignora a urgência das áreas de risco
· Conservação no Mundo ·
Parem de consumir. A crescente extração de recursos das florestas tropicais está levando a Amazônia e biomas semelhantes ao limite, segundo um relatório. Novas demandas por minerais essenciais, biocombustíveis e celulose – usados na moda rápida, alimentos processados e embalagens – estão agravando as pressões existentes da pecuária, monoculturas, petróleo e exploração madeireira. Os autores afirmam que isso destaca a necessidade urgente de substituir e reduzir o uso de produtos provenientes de regiões florestais, em vez de simplesmente adicionar novas formas de consumo, como ocorre atualmente. [The Guardian]
Colonização afeta tudo. Na Nova Zelândia, tempestades e inundações recordes estão impactando as terras, a saúde e a cultura Māori. E, de acordo com um novo relatório nacional sobre o clima, a colonização intensificou esses riscos. A Avaliação Nacional de Riscos das Mudanças Climáticas de 2026 é composta por quatro relatórios, incluindo um documento complementar focado nas comunidades Māori. Esse relatório argumenta que as mudanças climáticas provavelmente aprofundarão as desigualdades existentes, moldadas pela colonização, pela exclusão dos processos decisórios e pelo subinvestimento crônico. [Grits]
· Dicas Culturais ·
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Hai rawirokaha pape rehe: livro do mel | ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza)
Este livro reúne histórias contadas por pessoas de diferentes gerações do povo Awa Guajá sobre os conhecimentos que possuem acerca das abelhas e dos méis. Escritas em Guajá e em português, essas narrativas têm como um de seus propósitos contribuir para a produção de material didático voltado às escolas indígenas Awá, fortalecendo o uso da língua materna ao mesmo tempo em que apoia o aprendizado do português.
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Vidas em risco | INCAB
Realizada pela INCAB (Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira), a minissérie documental reúne, pela primeira vez, moradores impactados por colisões veiculares com anta em rodovias do Mato Grosso do Sul e destaca o problema crônico das colisões veiculares com fauna no estado e a falta de medidas mitigatórias efetivas, por parte dos gestores desses empreendimentos.
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‘Bom dia, Inverno’, por Tamara Klink | Companhia das Letras
Durante oito meses, Tamara Klink viveu sozinha num pequeno veleiro preso no mar congelado do Ártico Groenlandês. Depois de uma longa preparação e de atravessar o oceano desviando de icebergs, ela ancorou em um fiorde escuro sem saber se estava pronta para o que iria encontrar. Nessa experiência de isolamento radical, em meio a auroras boreais e visitas inesperadas de raposas, focas e outros animais selvagens, o silêncio se torna palco para reflexões profundas sobre a liberdade, a cultura, o futuro do planeta e o modo como escolhemos viver.








