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O Eco+ | Edição #310 | setembro/2026

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20 de setembro de 2026


Muito boi para pouco agente. O Programa Pecuária Sustentável do Pará tem como meta identificar individualmente todo o rebanho do estado até 2030. O problema é que para cumprir essa tarefa – Menos de 2% do rebanho bovino e bubalino do Pará foi identificado desde o lançamento do programa de rastreabilidade, em 2023 –, até o prazo estipulado, será preciso que os atuais 403 agentes de identificação registrem 65 cabeças de gado por dia útil. Isto porque o estado conta com um rebanho de 25,6 milhões de animais, o segundo maior do país. A disparidade entre o trabalho a ser feito e a força disponível foi debruçada pela repórter Alice Martins Morais esta semana em ((o))eco. A jornalista conta que nos últimos dois anos, desde que o Programa de Integridade e Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Pecuária de Bovídeos Paraenses foi iniciado, o Pará conseguiu identificar individualmente apenas 423.659 bovinos e bubalinos. Para conseguir chegar em 2030 com todo o rebanho rastreado, cada agente precisaria identificar, em uma semana de 5 dias, aproximadamente 320 animais, o que daria, em um mês de trabalho, em torno de 1,3 mil cabeças por agente.

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E no princípio era o verbo. Pesquisa recém publicada demonstra que, para o crime ambiental, a palavra das autoridades vale tanto quanto a flexibilização das leis. O colunista Carlos Bocuhy comenta o estudo “Sinais antiambientais e desmatamento: evidências do Brasil”, de Gustavo Magalhães de Oliveira, Elías Cisneros, Jorge Sellare e Jan Börner, que analisou a transição política brasileira de 2019 e investigou se mensagens antiambientais emitidas pelo governo Bolsonaro influenciaram o desmatamento na Amazônia Legal. Os pesquisadores chegaram à conclusão que o discurso de um governante pode enfraquecer a força da lei mesmo quando a lei não foi alterada. Segundo os autores, o resultado demonstra que a política ambiental também produz consequências por meio das expectativas que cria. Mesmo quando as estruturas formais de fiscalização permanecem funcionando, declarações e posicionamentos de autoridades podem influenciar a maneira como produtores, investidores e outros agentes econômicos interpretam a possibilidade de serem responsabilizados por irregularidades. A mensagem política, nesse sentido, pode interferir nas decisões tomadas no território. O estudo também ajuda a ampliar a compreensão sobre os fatores que impulsionam o desmatamento. Além de mudanças nas normas, orçamento ou operações de fiscalização, o ambiente institucional é formado também pela previsibilidade das regras e pela confiança de que elas continuarão sendo aplicadas. Quando essa previsibilidade diminui, o cálculo econômico associado à ocupação ilegal da floresta pode mudar, ainda que nenhuma regra tenha sido formalmente alterada, explica Bocuhy.

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Um pequeno peixe encontrado em apenas três localidades no sul do Amapá é o mais novo rivulídeo descrito pela ciência e seu habitat já está ameaçado pelo avanço do desmatamento, expansão urbana e até mineração. Marcada pela sua coloração alaranjada e cintilante que justificou o nome científico da espécie – batizada de Laimosemion laranja –, ela ocorre na bacia do rio Cajari e mede menos de 3 centímetros, basicamente o tamanho de um polegar. A descoberta foi feita a partir de análises anatômicas e genéticas que confirmaram que o pequeno peixe é distinto de todas as demais espécies conhecidas do gênero. A repórter Duda Menegassi conta essa história sobre essas minúsculas criaturas que estão perdendo habitat antes mesmo da ciência conseguir catalogá-las. Os exemplares que embasaram a descrição foram coletados em expedições realizadas em março de 2024 e junho de 2025 e até o momento, o peixe é conhecido em apenas três localidades, e possui uma área de ocupação de apenas 12 km² – ou cerca de oito vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo. A espécie ocupa poças que se formam próximas aos igarapés e afluentes do rio Cajari, em áreas florestadas, com vegetação aquática flutuante, águas limpas e fundo arenoso ou lodoso. 

Boa leitura!

Redação ((o))eco

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Retrocesso. Durante décadas, as regulamentações sobre as emissões de substâncias químicas perigosas, como tolueno, óxido de etileno e cloreto de vinila, foram mais brandas do que as restrições aplicadas a poluentes mais comuns, como os emitidos por veículos. Em 2024, o governo Biden tomou medidas importantes para fortalecer as regras da Lei do Ar Limpo sobre esses poluentes atmosféricos perigosos, o que tornou mais rígidos os requisitos para seis diferentes poluentes em mais de 200 fábricas petroquímicas. As regras fizeram parte de um conjunto de regulamentações sobre poluentes tóxicos do ar implementadas pelo governo Biden, cada uma voltada a um setor específico, da produção de aço à fabricação de pneus. Agora, o governo Trump trabalha ativamente para desmantelar as regras e tem concedido isenções a dezenas de instalações poluidoras e colocado os moradores do entorno dessas fábricas em perigo. [E360Yale]

Papo de baleia. Em 2015, a pesquisadora de baleias Valeria Vergara montou uma pequena barraca às margens das águas geladas da Ilha Somerset, no remoto Ártico canadense. O local estava coberto por uma neblina congelante tão densa que ela mal conseguia enxergar as próprias mãos. Vergara estendeu um cabo até a costa e colocou um hidrofone na água para registrar os sons emitidos pelas belugas. Até mil desses animais, acompanhados de seus filhotes recém-nascidos, frequentavam a baía ao redor. A conversa incessante das belugas, composta por dezenas de sons distintos, é fundamental para manter esses animais conectados nas águas escuras e turvas do Ártico. Desde que a primeira gravação conhecida do canto de uma baleia foi feita, em 1949, pesquisadores se encantam com os uivos, roncos, cliques, grunhidos e guinchos usados na comunicação desses animais, que os ajudam a sobreviver. [The Guardian]

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O erro que tornou as cidades brasileiras mais quentes | Panelinha

A chef Rita Lobo recebeu o botânico Ricardo Cardim para uma conversa sobre árvores urbanas, paisagismo, invasão biológica e “cegueira botânica”. Cardim é autor de “Paisagismo sustentável para o Brasil: integrando natureza e humanidade no século XXI”, entre outros livros e especialista em Mata Atlântica. Na conversa, o botânico explica como funciona a Floresta de Bolso, técnica que criou para levar espécies nativas para áreas urbanas.

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Para comemorar os 135 anos do Supremo Tribunal Federal, a série “Tá na Nossa História”, do STF, resgatam, no 11º episódio, a trajetória do chamado “Índio do Buraco” ou “Índio Tanaru”, último sobrevivente de seu povo, e a criação do Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru, em Rondônia. A reportagem mostra como o STF, com a ajuda de pesquisadores, servidores públicos e entidades, atuou para encontrar uma solução para um território indígena agora sem habitantes.

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