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Carta – Purgatório pantaneiro

De Armando LacerdaPrezado José Augusto, Peter e Kiko, Aguardarei ansioso a programação, quanto ao Peter e ao Kiko, na subida quinta, à tarde saí...

Redação ((o))eco ·
23 de outubro de 2006 · 20 anos atrás

De Armando Lacerda

Prezado José Augusto, Peter e Kiko,

Aguardarei ansioso a programação, quanto ao Peter e ao Kiko, na subida quinta, à tarde saí gritando feito um desesperado para que parassem no Porto São Pedro, por conta do tempo que se formava.

Infelizmente ao reconhecermos o barco, ele já ia longe, no retorno mesma coisa, estava com um pão doce e um café nas mãos e gritei e acenei inutilmente o pão doce de Jacinta, convidando-os para uma comunhão matinal.

Li a reportagem e digo que tal fato me aconteceu ínumeras vezes, até que aprendi a viajar “a la monçoeira” ou seja, sem pressa, a pressa no Pantanal significa atrasos, mosquitos e calor.

Peter e Kiko, ao sair de Corumbá rio acima, o primeiro ponto é na margem esquerda, o bar com uma bandeira do Flamengo, você tem um belo peixe frito, as atenções do dono (fugiu-me o nome) e esposa e cerveja bem gelada.

Após a volta do Tuiuiui voce tem o Reinaldo na Fazenda Píuva, depois seu Manoelzinho na Faia (*onde estão dois trailers), depois na Saracura a Fazenda Curva do Rio com o Weimar e esposa Maria, belos casos de Boiadeiro, onças e pescaria.

Mais adiante , Zé Boca e a Maracangalha, casos pantaneiros e belíssina hospedagem, depois a Pousada Jatobazinho onde o Seo Viotti e seu filho Jean, pantaneiros de Campinas, nos recebem com carinho e boa prosa (se for torcedor do Bugre Campineiro, o Viotti abre um escocês legítimo á beira da piscina).

Quase em frente, à esquerda, a casinha de seu Otávio, sua viola de cocho e seus casos de onça e índios na Morraria do Castelo, depois a Fazenda Ilha Verde (cuidado com os cachorros, Marli minha esposa teve um rompimento da veia safena da perna ao fugir dessas feras, em seguida a escola do Paraguai mirim, que também é um belo ponto de parada (e se confere se está funcionando).

Finalmente, o Porto São Pedro onde, além da hospedagem terão direito aos casos do Armando e os quitutes da Marli (e óbvio uma cervejinha gelada, medicinal, por conta do perigo de desidratação), quando os donos não estão o Rogério e a Jacinta, legítimos cacerenses fazem as honras da casa.

No Amolar, o seo Waldemar e esposa (e mais estórias de onça) e costelinha de pacu, fora esses qualquer morador por mais simples que seja divide prato e o comodo da casa livre dos mosquitos (quando existe) ou te oferece, em casos extremos, a própria cama com mosquiteiro.

Duas coisas não devem faltar na bagagem do viajante pantaneiro, uma rede com mosquiteiro e pequena lona ou poncho e AUSENCIA COMPLETA DE PRESSA, PARE, pare sempre, conheça, converse, faça amigos, o tempo e a falibilidade dos motores certamente farão voce parar na marra, principalmente quando tiver pressa…

Passei pela mesma situação de voces, mas dormi no 5 estrelas do Jatobazinho e detonamos duas caixas de cerveja enquanto chovia lá fora e o calor era amenizado por um belo ventilador, no outro dia após um lauto quebratorto, secos e felizes retornamos do Paraíso.

Peter, é uma intimação, pare no Porto São Pedro, tome um café e, se for no fim da tarde espere o convite para janta e pouso, ela faz parte da cultura pantaneira, nos sentimos muito mal quando as pessoas não param prá conversar, pois já disse o nosso amigo Almir Sater:

“Ando devagar, porque já tive pressa, trago este sorriso por que já sofri demais…” Abraços,

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