Um pedaço escondido de um estudo controverso da União Européia sobre o impacto das energias renováveis no meio ambiente, divulgado em dezembro passado, veio agora à público pela agência de notícias Reuters e mostra que os biocombustíveis podem ser até quatro vezes mais poluentes que o diesel normal.
O estudo levou em consideração a “pegada” carbônica dos biocombustíveis, isto é, o quanto foi emitido para que ele fosse produzido. O combustível feito a partir do grão da soja nos Estados Unidos, por exemplo, tem uma pegada de carbono indireta de 339,9 kg de CO2 liberado para cerca de 280 quilowatts/hora produzido – quatro vezes mais do que o diesel convencional, segundo documento da União Européia.
O biodiesel europeu feito de um tipo específico de couve tem pegada carbônica indireta de 150,3 quilos de CO2 por 280 quilowatts/hora produzidos, enquanto o cálculo do bioetanol europeu feito de beterraba é de 100,3 quilos – ambos ainda bem mais altos do que o gasto do diesel convencional ou da gasolina, que soma 85 quilos de CO2. Os mais limpos continuam sendo o bioetanol de cana-de-açúcar vindo da América Latina, e o feito de óleo de palma do Sudeste Asiático, com 82,3 quilos e 73,6 quilos respectivamente.
Os dados faziam parte de um anexo do documento da União Européia que foi retirado do relatório oficial de dezembro. A agência internacional Reuters usou a lei de liberdade de informação para conseguir uma cópia. (Cristiane Prizibisczki)
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