Notícias

Mamíferos aquáticos entram no cardápio de 114 países

Levantamento mostra que mamíferos aquáticos, em especial diferentes espécies de golfinhos, são usados como alimento humano pelo mundo afora.

Vandré Fonseca ·
23 de fevereiro de 2012 · 14 anos atrás
A cena dramática é parte do filme "A Enseada", que mostra o abate de golfinho para consumo de carne e pele, em Taiji, Japão. (Foto: Divulgação)
A cena dramática é parte do filme "A Enseada", que mostra o abate de golfinho para consumo de carne e pele, em Taiji, Japão. (Foto: Divulgação)
Manaus, AM – Mamíferos aquáticos estão no cardápio da população de 114 países. A conclusão é de uma equipe de pesquisadores da Wildlife Conservation Society e da Okapi Wildlife Associates, que durante três anos levantaram informações sobre o abate desses animais para consumo humano em todo o mundo. E nesta lista não constam espécies abatidas acidentalmente ou que servem para capturar outros animais (como é o caso dos botos na Amazônia), são apenas aqueles caçados para encher o prato dos humanos.

No total, o estudo levantou que 87 espécies de mamíferos aquáticos foram utilizadas, desde 1990, para a alimentação humana. “Obviamente, há a necessidade de aumentar o monitoramento de espécies como os golfinhos-corcundas tanto do Oceano Índico quanto do Atlântico e outras espécies”, afirma o diretor do Programa Gigantes do Oceano da WCS, Howard Rosenbaum. “Em áreas mais remotas e em inúmeros países, a necessidade imediata é entender as motivações por trás do consumo de mamíferos aquáticos para desenvolver soluções de proteção destas espécies ícones”, completa.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Espécies obscuras, como o golfinho-de-fraser (como este em um mercado de peixes no Sri Lanka), estão sendo cada vez mais utilizadas como alimento em regiões pobres e com insegurança alimentar. (Foto: Anouk Ilangakoon)
Espécies obscuras, como o golfinho-de-fraser (como este em um mercado de peixes no Sri Lanka), estão sendo cada vez mais utilizadas como alimento em regiões pobres e com insegurança alimentar. (Foto: Anouk Ilangakoon)

Entre as espécies consumidas estão espécies encontradas no Brasil, como os peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis) e o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) – o primo deles, o peixe-boi-africano (Trichechus senegalensis), também está na lista — e o boto-de-burmeister (Phocoena spinipinnis). Estão também espécies pouco conhecidas como o golfinho-negro-do-chile (Cephalorhynchus eutropia), baleia-bicuda-pigmeia, (Mesoplodon peruvianus), a baleia-piloto (Globicephala melas) e o boto-de-burmeister (Phocoena spinipinnis), que pode ser encontrado na costa brasileira.  Estão também espécies de água doce, como o golfinho-do-ganges (Platanista gangetica). Até o urso polar (Ursus maritimus) entra nesta história.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
6 de maio de 2026

PL dos Minerais Críticos avança na Câmara sob críticas de ambientalistas e especialistas

Organizações apontam falta de debate público, riscos de flexibilização socioambiental e pressão sobre territórios indígenas e áreas marinhas

Notícias
6 de maio de 2026

Sítio arqueológico é vandalizado com pichações no Parque Nacional Serra do Cipó

Local teve a visitação interditada enquanto aguarda vistoria do Iphan para mensurar os danos ao patrimônio arqueológico; ICMBio abre canal de denúncias para identificar suspeitos

Colunas
6 de maio de 2026

O Relógio da Dignidade: o despertar de um paradigma

O debate sobre o fim da escala 6×1 no mercado de trabalho não é apenas uma disputa entre capital e trabalho, mas uma reavaliação do conceito de produtividade na era da economia do conhecimento

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.