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Dados do Imazon sinalizam estabilidade no desmatamento

A queda de 3% em relação ao número registrado em agosto de 2011 diverge dos dados do INPE, que apontaram elevação de 220% no desmatamento.

Daniele Bragança ·
25 de setembro de 2012 · 9 anos atrás

Mapa do SAD Agosto 2011 com pontos de desmatamento em vermelho. Extensão da destruição bem inferior ao que apontou o sistema DETER do INPE.
    

Na direção contrária aos dados do INPE, que apontaram aumento de 220% do desmatamento em agosto, os dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon apresentaram uma queda de 3% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em agosto, o total desmatado registrado pela ONG soma 232 quilômetros quadrados (km²) contra 522 km² observados pelo sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter).

A diferença de 230 km² do  Deter para o SAD está sendo estudada pelo Imazon, que soltará na próxima semana um comunicado sobre as divergências entre os números. A divulgação é uma eventualidade provocada pela demanda da imprensa. Rotineiramente, o Imazon não faz esse tipo de comparação.

“Cada sistema tem a própria metodologia. Não constumamos comparar os dois sistemas”, explica a ((o)) eco o engenheiro ambiental Heron Martins, um dos pesquisadores responsáveis pelo Boletim do Desmatamento do Imazon. “Em relação ao restante dos números, nós estamos avaliando polígono por polígono para verificar erros mais finos de detecção, tanto de um sistema quanto de outro”, detalha.

O estado do Maranhão, por exemplo, teve desmatamento de 12,34 km² mapeado pelo Deter no mês de agosto. O SAD, por sua vez, não analisa os números do Maranhão. As derrubadas não analisadas representam 5% da diferença de 230 km² entre os números das duas instituições. Outra explicação é a diferença das datas de observação. O DETER detectou 80 km² de desmatamento em agosto que tinham sido já mapeados anteriormente pelo Imazon. “Isso representa mais ou menos 40% da diferença. Na região de Paragominas, por exemplo, o Deter mapeia um desmatamento que nós detectamos em junho. A mesma coisa acontece com a Terra do Meio. Essas duas situações representam quase 50% de toda essa diferença de detecção”, esclarece Heron Martins.

Alertas convergem para gravidade no Pará

Pelos números do Imazon, o estado do Pará, assim como nos dados do governo, está no topo da lista dos estados com maior taxa de desmate, concentrando 50% da supressão de floresta que aconteceu no período.

Em seguida aparece Mato Grosso, com 19%; Amazonas, com 16% e Rondônia, com 15%.  Em comparação com os números de agosto de 2011, houve aumento de desmatamento no Amazonas (+66%) e Mato Grosso (+21%), e redução drástica de desmatamento em Roraima (-100%) e Acre (-89). Também houve diminuição de desmatamento em Rondônia (-26) e Pará (-2%). Veja tabela abaixo com os dados do SAD.

Estado Agosto 2011 Agosto 2012 Variação (%)
Pará 119 116 -2
Mato Grosso 35 43 +21
Rondônia 46 34 -26
Amazonas 23 38 +66
Roraima 6 0 -100
Acre 10 1 -89
Tocantins 1 0 -100
Amapá
Total 239 232 -3

A comparação entre agosto deste ano com do ano passado é importante por apresentar condições climáticas muito parecidas “Praticamente não houve mudança entre os valores detectados pelo SAD em julho e agosto desse ano”, analisa Martins. “Em termos absolutos o Pará mais uma vez liderou o ranking do desmatamento na Amazônia. Entretanto é importante ressaltar que as áreas desmatadas no Pará estão concentradas especialmente no eixo da BR-163 e Transamazônica” diz.
 
Unidades de conservação na BR 163 sofrem com desmatamento

A Floresta Nacional do Jamanxin (Pará) perdeu 27 km² em agosto e lidera, com folga, o ranking do desmatamento em unidades de conservação na Amazônia. Em seguida, vem a Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, com 5,7 km²; Reserva Extrativista Rio Preto-Jacundá, com 4,9 km² e Floresta Nacional de Itaituba II, com 4,5 km². No total, 50 quilômetros quadrados foram desmatados em unidades de conservação em agosto, representando 22% de todo o desmatamento detectado no mês. 

A Floresta Nacional de Altamira, que em julho liderava o ranking de desmatamento, com 25, 6 quilômetros quadrados desmatados, em agosto aparece em quinto lugar, com 2,9 quilômetros desmatados em agosto de 2012. Os dados indicam que Jamanxin segue com problemas fundiários dentro de seus limites e sofre com as queimadas.  Por isso avança no ritmo de desmatamento. No mês de julho, ela aparecia em segundo lugar, com 11 km², e em agosto tomou a liderança. A área protegida está localizada no ponto mais crítico da geografia do desmatamento, que é o entorno da BR 163. 

  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

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