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Quando a inveja faz bem para o planeta

Interação social tem papel importante na disseminação de tecnologia sustentável, segundo estudo realizado nos Estados Unidos.

Vandré Fonseca ·
26 de outubro de 2012 · 9 anos atrás

Casa com painel solar em San Juan Capistrano, Califórnia. (Foto: Steven Perez)
Casa com painel solar em San Juan Capistrano, Califórnia. (Foto: Steven Perez)

Manaus, AM − Um estudo publicado no periódico científico Marketing Science por pesquisadores das Universidades de Yale e Nova Iorque demonstra que aquele olhar de inveja do vizinho pode ser um prenúncio de uma bela atitude, que pode ajudar o planeta a economizar energia e minimizar o aquecimento global. Desde que, é claro, a causa do olho gordo seja uma atitude sustentável. No caso do estudo, a instalação de painéis solares para geração de energia.

Os pesquisadores avaliaram a instalação de painéis solares na Califórnia, entre janeiro de 2001 e janeiro de 2011, e descobriram que a vizinhança mais propensa a tal inovação era juntamente onde já havia algum sistema de energia solar instalado. “Os resultados apresentam uma clara evidência de um efeito significante estatística e economicamente”, diz o professor Bryan Bollinger, um dos autores do artigo.

Eles calcularam que a instalação de 10 novos painéis solares na vizinhança aumenta a possibilidade de adoção da tecnologia em 7,8%. Se há 10% de aumento no total de pessoas com painéis solareas nas vizinhanças, as chances de mais gente aderir sobe 54%. Tantos números indicam uma coisa, quando mais gente expõe a tecnologia nos telhados ou quintais, mais pessoas têm vontade de fazer o mesmo.

O estudo demonstra também que encorajar os vizinhos também funciona. Além de exibir o painel no telhado, em local bem visível, uma conversa animada sobre as vantagens de adotar a tecnologia também funciona. “Se meu vizinho instala um painel solar e me diz que está economizando dinheiro e ele está realmente excitado com isso, então parece que eu vou em frente e faço a mesma coisa”, diz  Kenneth Gillingham, outro autor do estudo. “Então, outros também vão instalar porquê não querem ficar atrás dos vizinhos”, explica.

Há também outros fatores relacionados à adoção da tecnologia sustentável na Califórnia. No Vale do Silício há um número desproporcional de engenheiros, que têm condições de eles mesmos intalarem os equipamentos. Casas grandes com moradores que fazem grandes trajetos entre a residência e o trabalho têm mais possibilidade de usar energia solar do que casas pequenas de pessoas que compartilham o carro.

A Iniciativa Solar da Califórnia, estabelecida em 2006, prevê investimentos de US$ 3,3 bilhões, em dez anos, para encorajar a instalação de 3 mil megawatts de energia solar. Estes subsídios, de acordo com o autor, aumentou o número de instalações solares de apenas 1 mil em 2001 para 17 mil em 2010. “Nossa conclusão de que os efeitos crescentes de novas instalações na vizinhança sugerem que o alvo dos esforços de marketing nas áreas que já têm alguma instalação é uma estratégia promissora”, diz Gillingham.

O estudo está disponível aqui.


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