Notícias

Fragmentação põe em risco fauna da Mata Atlântica

Estudo liderado por pesquisador finlandês comprova que a fragmentação das florestas da Mata Atlântica ameaça sobrevivência de espécies.

Vandré Fonseca ·
27 de agosto de 2013 · 13 anos atrás

Só sobrou 8% da Mata Atlântica, ainda por cima, fragmentados. Foto: Otávio Nogueira/Flickr
Só sobrou 8% da Mata Atlântica, ainda por cima, fragmentados. Foto: Otávio Nogueira/Flickr

Manaus, AM – Se ter pouca floresta já é ruim, pior ainda se o que restou dela estiver dividido, fracionado em pedaços ainda menores. A fragmentação do hábitat aumenta a possibilidade de desaparecimento das espécies, conforme artigo recentemente publicado no jornal científico Proceedings of the Nacional Academy of Sciences (PNAS).

“Muitas regiões florestais, com a Mata Atlântica, na América do Sul, têm sido reduzidas a pequenas frações de sua extensão original e essas florestas estão frequentemente muito fragmentadas”, afirmou o autor principal do artigo, Ilkkla Hanski, da Universidade de Helsinki, Finlândia, para o site Mongabay.com. “Nossos resultados sugerem que, nesta situação, se alguém ignora o efeito da fragmentação provavelmente subestima a extinção”.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



O artigo cita trabalho do biólogo Gonçalo Ferraz, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que desenvolve estudos de efeitos da fragmentação sobre a as aves, desenvolvidos no Programa de Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e o Instituto Smithsonian.

De acordo com Ferraz, em florestas que foram muito reduzidas, a configuração da mata restante passa a ser fundamental para a preservação das espécies que vivem ali. “Por exemplo, na Mata Atlântica de hoje, a distribuição espacial da cobertura florestal tem mais importância para a sobrevivência das espécies do que a distribuição espacial da cobertura florestal da Amazônia como ela é hoje”, afirma o pesquisador.

Mesmo sem levar em conta a fragmentação, as previsões feitas pelo modelo anterior, chamado de Relação Espécie-Área (SAR, em inglês), já apontavam que uma redução de 90% na área florestal resultava na extinção local de metade das espécies de aves. Mas este dado pode ser otimista. Os autores do estudo aplicaram outro modelo matemático, que inclui a fragmentação do hábitat nos cálculos, para estimar a perda de espécies na Mata Atlântica, a qual mantém apenas 8% de sua extensão original. Essa nova estimativa é ainda pior, e mais próxima da realidade.

Eles concluíram que a fragmentação tem um efeito elevado em ambientes reduzidos a menos de 20% da paisagem original. Outro ponto levantado pelo estudo é que, quando resta apenas 10% da floresta, a maioria dos animais e aves não são capazes de sobreviver a longo prazo.

Ao levar em conta os efeitos da fragmentação, pesquisadores têm apresentado más notícias para a biodiversidade. Há algumas semanas, com base nos efeitos da fragmentação e as distâncias entre os fragmentos florestais da Mata Atlântica, a equipe liderada pelo professor Gareth Russell, do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey, já havia sugerido que o estado de conservação de 28 aves da floresta brasileira fosse reconsiderado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). No artigo publicado em julho, na revista Conservation Biology, os pesquisadores analisaram a situação de 127 espécies, levando em consideração aspectos como a fragmentação do ambiente e a distância entre esses fragmentos.

Os autores liderados por Hanski alertam que a Mata Atlântica não é o único ambiente tropical a sofrer gravemente com a fragmentação. Eles citam também todo o Sudeste Asiático, onde frações da floresta estão separadas por monoculturas, como o óleo de palma, borracha e plantios para produção de celulose. Na África, espécies estão sendo confinadas a pequenas manchas de floresta pelo avanço da agricultura, principalmente no litoral e montanhas da África Oriental.

 

 

Leia também
Desmatamento na Mata Atlântica é o maior desde 2008
A Mata Atlântica vista do espaço
Mais espécies em risco na Mata Atlântica

 

 

 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
1 de junho de 2026

MMA cria primeira lista oficial de fungos ameaçados de extinção

Norma reconhece 24 espécies da funga brasileira em risco de extinção e estabelece proteção legal para coleta, manejo e comercialização

Externo
1 de junho de 2026

Arquipélago em São Paulo serve de área de reprodução para tubarões ameaçados de extinção

Registros de pesquisadores e mergulhadores no Refúgio do Arquipélago de Alcatrazes mostram que tubarão-mangona usa local não apenas para acasalamento, mas também para gestação

Salada Verde
1 de junho de 2026

Governo da Bahia abre consulta pública para criar área protegida na Serra da Chapadinha

Proposta de Refúgio de Vida Silvestre envolve três municípios no sul da Chapada Diamantina e será debatida em encontros presenciais e online

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.