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Esforço internacional mapeia desmatamento no mundo

Resultado é mapa interativo que mostra perda de florestas entre 2000 e 2012. Redução de florestas persiste, mas Brasil reduziu desmatamento.

Vandré Fonseca ·
19 de novembro de 2013 · 9 anos atrás

Ao longo de 13 anos, entre 2000 e 2012, o mundo perdeu 2,3 milhões de quilômetros quadrados de florestas, uma área maior do que a Amazônia Ocidental (formada pelos estados do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima). Em contrapartida, 800 mil quilômetros quadrados de novas florestas cresceram em todo o mundo ao longo deste período. Os dados estão no mapa abaixo, disponível na internet.

Publicado na revista Science, o mapa interativo foi produzido a partir de estudos que reuniram esforços de um grupo de 15 universidades internacionais, instituições governamentais de pesquisa e a Google. Eles indicam, por exemplo, o desmatamento de 2.101 quilômetros quadrados de florestas todos os anos, só nas regiões tropicais. A redução do desmatamento no Brasil foi superada pelo aumento da perda de florestas em países vizinhos, como o Paraguai e Bolívia, além da Indonésia, Malásia, Angola e outros.

“Este é o primeiro mapa das mudanças nas florestas consistente globalmente e relevante localmente”, afirma o professor de Ciências Geográficas da Universidade de Maryland, Matthew Hansen, líder da equipe de pesquisadores. “Perdas e ganhos na cobertura florestal informam aspectos importantes de um ecossistema, inclusive regulação climática, estoque de carbono, biodiversidade e suprimento de água”.

Os pesquisadores utilizaram dados do Landsat 7, obtidos entre 1999 e 2012, disponibilizados livremente pelo Centro de Pesquisas, Observação e Ciências da Terra, do Serviço Geológico dos Estados Unidos. Mais de 650 mil imagens do Landsat foram processadas para se chegar a caracterização final das florestas e das mudanças que sofreram. A análise das imagens foi possível com a colaboração de Google Earth Engine, que permitiu a análise dos dados em poucos dias, o que em um computador comum tomaria 15 anos.

Os mapas possuem uma resolução bastante precisa (30 metros). Florestas subtropicais, por exemplo, têm altas taxas de desmatamento, devido ao uso intensivo das terras. As florestas no sudeste dos Estados Unidos foram perdidas quatro vezes mais rapidamente do que as florestas tropicais da América do Sul durante o período. Entre países, Paraguai, Malásia e Camboja são aqueles com as maiores taxas de perda florestal.

A boa notícia é que o estudo confirmou o sucesso brasileiro em reduzir o desmatamento, pois até poucos anos, o Brasil era apontado como responsável por uma das maiores perdas de florestas tropicais do mundo. No país como um todo, essa taxa caiu de aproximadamente 40 mil quilômetros quadrados entre 2003 e 2004, para 20 mil quilômetros quadrados em 2010 e 2011. A Indonésia faz o caminho inverso e praticamente dobrou o desmatamento no período, atingindo quase 20 mil quilômetros quadrados no biênio 2011 e 2012.

Mapa interativo

 

 

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Comentários 3

  1. Eu espero que os indígenas sejam assentados em terras degradadas do entorno, onde eles podem produzir suas roças à vontade. Infelizmente vimos muitas vezes o resultado da entrada de indígenas nas unidades de conservação do sul da Bahia e norte do Rio Grade do Sul, para no falar do litoral de São Paulo e Paraná. A extinção local dos animais de maior porte se segue rapidamente, assim como a venda de madeira. As unidades de conservação não são palco para solucionar os nosso grave problemas sociais.


  2. Israel Gomes da Silva diz:

    Se não tem apoio de partido político, quem está bancando a picanha e a bebida que a liderança está comendo todos os dias no Sahy Vilage Shopping, sendo solicitado apenas Notinhas da comida? Todos os dias um grupo de indígenas vão à praia e aí Shopping, mesmo no frio.


  3. Salvador Sá diz:

    Parabens ao Duda pela materia, me permite concluir que estamos diante de uma nova e muito grave ameaça ao q sobrou, grave pq faz uso de uma causa nobre, mas cheia de equivocos e que está enganando muita gente e não só os próprios índios. A materia fura o cerco de silencio feito pelo ambientalismo seletivo e chapa branca midiatico.