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Caititu: parece, mas não é

Como em nosso último perfil, o homenageado da semana tem uma aparência que pode causar confusão. Foto: Manuel Mejia

Rafael Ferreira ·
6 de fevereiro de 2014 · 8 anos atrás

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Também conhecido como caitatu, taititu, cateto, tateto, pecari, patira e porco-do-mato, à primeira vista, o “jeitão” do caititu (Pecari tajacu) pode confundir até o observador mais cauteloso. Descrito pelo biólogo Linnaeus em 1758, o caititu foi inicialmente classificado no gênero Sus, o mesmo do porco-do-mato ou javali (Sus scrofa), em razão da aparente semelhança com este animal. Entretanto, várias características anatômicas o tornam diferente e, assim, o apelido de porco-do-mato não lhe faz justiça.

Como o Sus scrofa, o caititu é um mamífero artiodáctilo, porém as semelhanças param aí e as diferenças são numerosas: ele possui uma glândula odorífera na região dorsal; uma cauda vestigial de 15 a 55 mm; o osso da perna fundido ao do pé, que resulta em três dígitos na pata posterior; o fígado reduzido pela ausência de vesícula biliar e um estômago compartimentalizado, que permite aos caititus se alimentarem de alimentos fibrosos, sobras de legumes, frutos e pequenos vertebrados.

Os caititus são animais de menor porte. Um adulto mede de 75 a 100 cm de comprimento e aproximadamente 45 cm de altura. Seu peso varia de 14 a 30 kg. A pelagem é longa e áspera, geralmente de tonalidade preto acinzentada, com uma faixa de pelos brancos ao redor do pescoço que dá o aspecto de um colar. Na região dorsal possuem uma crina de pelos mais longos e escuros, que eriçam em situações de estresse ou quando demonstram comportamentos de ameaça. Diferentemente dos porcos verdadeiros, seus caninos são relativamente pequenos e com o crescimento reto e para baixo. Machos e fêmeas são muito semelhantes em tamanho e cor, mas os jovens tem uma pelugem marrom amarelada, com uma listra preta nas costas.

A espécie distribui-se desde o sul dos Estados Unidos, passando pela América Central e América do Sul a leste dos Andes, até o norte da Argentina. No Brasil, o Pecari tajacu está amplamente distribuído e resistente a alterações causadas pelo homem e pode ser encontrado nas áreas com cobertura vegetal em todos os biomas.

Esses animais habitam uma grande variedade de ambientes, desde regiões de florestas tropicais úmidas a regiões semiáridas, conseguindo sobreviver mesmo em áreas devastadas. Esta capacidade de sobrevivência da espécie em diferentes condições se faz graças a adaptações fisiológicas e comportamentais, como por exemplo, a aceitação de uma longa lista de itens alimentares como frutas, folhas, raízes, cactáceos e tubérculos.

Em condições naturais, os hábitos alimentares dos caititus são determinados de acordo com a disponibilidade de alimento. Nas florestas tropicais, por exemplo, sua alimentação principal são frutos, folhas, raízes e tubérculos, mas podem, eventualmente, consumir larvas, insetos, anfíbios, répteis, entre outros, como fonte de proteína.

Os bandos de caititus são grupos sociais coesos e estáveis de 5 a 25 membros, indivíduos de diferentes faixas etárias, com um ou mais machos e várias fêmeas. Se comportam assim como uma estratégia para defesa conjunta contra os predadores, já que são presas de grandes carnívoros como os jaguares e coiotes na América do Norte e de onças-pintadas, pardas e, ocasionalmente, de jacarés no Brasil.

A glândula de cheiro é um mecanismo utilizado em contextos sociais e não-sociais: a substância oleaginosa de forte odor produzida, quando esfregada em árvores e outros objetos servem para marcar o território. Socialmente, através dos comportamentos de “esfregamento”, recíproco e não-recíproco, fazem uma marcação importante para a coesão do bando, pois através delas se identificam e reconhecem: caititus têm pouca orientação visual, mas um olfato bastante desenvolvido.

Não há uma época específica para a reprodução, o acasalamento pode ocorrer em qualquer momento do ano. A gestação dura em torno de 144 a 148 dias, nascendo geralmente dois filhotes, que apresentam pelos mais avermelhados que são trocados no terceiro mês de vida e uma faixa marrom dorsal. As grávidas se removem do grupo para evitar que os recém-nascidos sejam comidos por outros membros do grupo, só retornando um dia após o parto. O desmame ocorre em 2 a 3 meses. Os machos atingem a maturidade sexual aos 11 meses e as fêmeas, entre 8 a 14 meses. A espécie pode viver até 24 anos. tem uma vida útil de até 24 anos.

O Pecari tajacu, por sua ampla distribuição geográfica, sofre diferentes impactos e está sob diferentes graus de ameaça ao longo de sua distribuição. Enquanto em algumas regiões a caça ou a competição com espécies mais agressiva será o maior risco, em outras será a fragmentação ambiental e/ou as interferências humanas no ambiente (aumento populacional, grandes empreendimentos, agricultura).

Uma avaliação global, como a realizada pela IUCN, classifica a espécie como Pouco Preocupante, um resultado também aplicado ao Brasil. Entretanto, avaliar a espécie como unidades para todo o país pode resultar em excesso de otimismo em relação a seu estado de conservação, baseado em grandes populações remanescentes nos biomas ainda menos degradados. Faz-se necessária uma avaliação regional do estado de conservação para cada um dos principais biomas brasileiros.

 

*Artigo editado em 07/02/2014 (Com a ajuda de nossos atentos leitores).

 

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