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Divergências sonoras indicam 21 novas espécies de aves tropicais

Estudo demonstra que análise de sons em laboratório podem ajudar a prever a existência de espécies ainda não identificadas de pássaros.

Vandré Fonseca ·
14 de setembro de 2017 · 4 anos atrás
Estudo com reproduções de áudio indicam que as duas populações do barranqueiro-camursa (Automolus ochrolaemus) não se reconhecem pelos sons. Foto: B. van Doren
Estudo com reproduções de áudio indicam que as duas populações do barranqueiro-camursa (Automolus ochrolaemus) não se reconhecem pelos sons. Foto: B. van Doren

Manaus, AM — Pesquisadores americanos propõem o reconhecimento de 21 novas espécies de pássaros, com base nas diferenças de canto. Elas vivem nas florestas do Panamá, Costa Rica e Equador e têm sido consideradas populações isoladas de espécies já conhecidas.

Os estudos foram desenvolvidos pelos pesquisadores Benjamim Freemam, da Universidade of British Columbia, e Graham Montgomery, da Cornell University, e publicados na revista científica The Auk: Ornithological Advances. Foram analisadas em laboratório sete variáveis em mais de mil gravações de áudio, que depois foram reproduzidas na floresta.

Os resultados demonstram que, quando os sons eram muito diferentes, os pássaros de populações separadas, embora tidos como da mesma espécie, não se reconheciam. “Essas populações parecem a mesma, elas têm plumagem semelhante e tamanho e formas semelhantes, mas assumidamente estas populações que cantam diferentes tendem a não se cruzarem. Isto significa que o nível de diversidade de espécies neotropicais está subestimada”, explica Freeman.

Para os pesquisadores e outros especialistas, o estudo indica que a análise dos sons em laboratórios pode ajudar a descobrir espécies de pássaros ainda não identificadas, hoje confundidas com outras devido às semelhanças visuais.

Mas o curador da coleção de aves do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Mario Cohn-Haft, explica que nem sempre diferenças nos sons significam definitivamente uma distinção entre espécies. É preciso verificar a origem dessas divergências.

“Se as diferenças forem abruptas, ou seja, não houver uma gradação, e cada população mantenha uma uniformidade no canto, podem ser espécies diferentes”, ele explica. Porém o método mais seguro para identificar espécies, atualmente, são estudos genéticos, segundo Cohn-Haft.

 

Saiba Mais
Artigo:  Using song playback experiments to measure species recognition between geographically isolated populations: A comparison with acoustic trait analyses”.

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