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“Estamos vendo o Congresso comemorando a própria destruição”, diz ex-diretor do MMA

Em evento online, pesquisadores discutiram o papel da política na preservação da biodiversidade brasileira e a importância de uma regulamentação efetiva

Júlia Mendes ·
18 de julho de 2025

Clima, floresta e biodiversidade foram os temas de debate da Webinar “COP30: Floresta Amazônica e Soluções Climáticas”, realizado nesta sexta-feira (18). No primeiro painel, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ex-diretor do Departamento de Políticas de Controle do Desmatamento e Queimadas do Ministério do Meio Ambiente, Raoni Rajão, e o pesquisador da mesma instituição, Ubirajara Oliveira (UFMG), trataram da política em torno do desmatamento no Brasil, além da importância da preservação. 

Sobre a recente votação no congresso do chamado “PL da Devastação”, Rajão diz que representa um desmonte e “um processo autodestrutivo” de todos os ganhos históricos legislativos do Brasil voltados ao meio ambiente, como o Código Florestal e a criação do licenciamento ambiental.

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“É um processo que pensa absolutamente no lucro, no curtíssimo prazo, de um grupo econômico muito pequeno em detrimento da possibilidade do Brasil se manter um grande produtor de alimentos e de chuvas”, comentou o professor. 

Durante sua fala, Rajão apresentou uma perspectiva histórica sobre o desmatamento no Brasil que vem desde o período colonial, com um processo de expansão pós-colonial. Segundo ele, tal aumento destrutivo tem um limite chamado, na UFMG, de “agro-suicídio”. Estudado pelo pesquisador Argemiro Teixeira Leite Filho, o termo se refere aos prejuízos, sociais e econômicos, trazidos pelo desmatamento no Brasil. De acordo com o estudo, embora a rentabilidade de terra desmatada seja maior de maneira local, regionalmente a perda é muito maior. Portanto, o aumento do desmatamento gera uma redução da produtividade por hectare. “Se tem no Brasil um problema de falta de planejamento e de falta de visão que está nos levando ao agro-suicídio”, disse Rajão. 

Pesquisador também da UFMG, Ubirajara Oliveira explicou que não é o ser humano que vai acabar com a biodiversidade, e sim com a própria espécie. “A vida tem tempo pra se recuperar, mas a nossa espécie não”.  O importante, segundo ele, é que evitemos a nossa própria extinção e também condições para a nossa espécie ao longo dessa extinção. Isso implica não se preocupar apenas com o nosso espaço, mas com o planeta num geral. 

Os impactos, desastres e pandemias não respeitam as fronteiras, como explica o professor. “O país não pode se preocupar só com o que está dentro dele, as fronteiras são criações humanas. Temos que ter uma preocupação global.” E o Brasil tem um papel importante nisso. De acordo com Oliveira, o BR tem cerca de 14% dos remanescentes dos trópicos, ou seja, tem muito remanescente de vegetação nativa com uma grande biodiversidade, além de responder a ¼ das áreas protegidas dos trópicos. “A preservação tem que ser planejada e pensada de forma global”, disse. 

O painel: Realidade e oportunidades amazônicas do Webnário durou um pouco mais de uma hora e pode ser visto, na íntegra, aqui:

  • Júlia Mendes

    Estudante de jornalismo da UFRJ, apaixonada pela área ambiental e tudo o que a envolve

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