Notícias

Leonardo DiCaprio se une a campanha que pede compromissos ambientais de presidenciáveis brasileiros

Entre os pedidos da campanha estão a redução do desmatamento, redução de emissões, respeito aos direitos indígenas e fortalecimento do sistema de áreas protegidas

Cristiane Prizibisczki ·
19 de setembro de 2022 · 4 anos atrás

A Re:wild, organização fundada por Leonardo DiCaprio, e entidades brasileiras e internacionais juntaram forças para pedir que os 12 candidatos à Presidência do Brasil se comprometam com quatro questões críticas ao meio ambiente: o fim do desmatamento em todas as suas formas e em todos os ecossistemas; redução das emissões, por meio da implementação efetiva do Acordo de Paris; respeito às populações indígenas e o local onde elas vivem e o fortalecimento do sistema de áreas protegidas no Brasil. Os candidatos receberam, na última semana, uma carta com o que ficou conhecido como “Desafio dos quatro compromissos ambientais”.

Além da Re:wild, uma das principais organizações do mundo para a conservação da biodiversidade, a campanha também conta com a parceria da Global Citizen, plataforma de ação dedicada  acabar com a extrema pobreza e a destruição do meio ambiente, com o Center for Environmental Peacebuilding (CEPB) e com o trabalho das brasileiras Rede Pró Unidades de Conservação (Rede Pró-UC) e Menos1Lixo.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Na última sexta-feira (16), DiCaprio convidou brasileiros e não brasileiros a se unirem à campanha, que conta também com um abaixo-assinado. Em seu Twitter, ele escreveu “Tenho orgulho de estar ao lado do povo brasileiro convocando todos os 12 candidatos a presidente a se comprometerem publicamente com quatro ações críticas para o nosso planeta”. Até a tarde desta segunda-feira (19), a petição já contava com 25,6 mil assinaturas.

Segundo os organizadores, o objetivo da iniciativa é lembrar os candidatos sobre sua responsabilidade global em proteger o planeta e fazer com que eles se  comprometam com uma gestão ambiental mais responsável, o que trará como consequência um país ambientalmente mais equilibrado.

“Há muito em jogo para os líderes da região ficarem quietos. Ao agir agora para proteger a natureza e conter as emissões de carbono, os políticos no Brasil e em toda a América Latina podem ajudar a mudar o rumo da crise climática”, diz o texto da petição online.

Para Angela Kuczach, diretora da Rede Pró UC, o Brasil tem uma responsabilidade enorme frente ao mundo e precisa se comportar de acordo com esse desafio, agindo com responsabilidade na agenda de combate ao desmatamento e proteção da biodiversidade. “É inadmissível assistir o que está acontecendo na Amazônia hoje, por exemplo, com o desmatamento e incêndio criminoso de Unidades de Conservação como o Parque Estadual do Cristalino II e o Refúgio de Vida Silvestre dos Rios São Benedito e Azul. Estamos transformando áreas prístinas em cinza, a floresta em deserto e rios voadores de chuvas em rios de fumaça.”

O desmatamento e as queimadas têm atingido recordes em 2022. Somente nos oito primeiros meses do ano (janeiro a agosto), a Amazônia perdeu cerca de 8 mil km² de floresta, o maior número dos últimos 15 anos. 

A degradação, primeiro passo para o corte total da vegetação, cresceu 5.322% em agosto de 2022, quando comparado com o mesmo período do ano passado. Somente nos 31 dias de agosto deste ano, foram degradados cerca de 1.000 km² de floresta, contra 18 km² de agosto de 2021.

O Cerrado também tem sido destruído pelo desmatamento. Somente no primeiro semestre deste ano, o bioma perdeu 4.728 km² de vegetação, uma alta de 15% em relação ao mesmo período do ano passado.

Amazônia, Cerrado e demais biomas brasileiros também enfrentam o poder destruidor das chamas. Em todo o país, já foram computados mais de 127 mil focos no ano, sendo cerca de 75 mil deles somente na Amazônia.

  • Cristiane Prizibisczki

    Jornalista (UEL), mestre em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável (ESCAS/IPÊ) e former fellow da Universidade de Cambridge (UK). Tem 20 anos de experiência na cobertura de temas socioambientais. Foi vencedora do Earth Journalism Awards (2009) em três categorias internacionais e do Prêmio Embrapa de Reportagem (2014), entre outros. Colaborou para ((o))eco entre 2006 e 2026 e atualmente é Coordenadora de Comunicação do Observatório do Clima. →

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Reportagens
23 de outubro de 2026

Integração de cadastros proposta por Flávio pode beneficiar produtores dos EUA e da Argentina

Especialistas alertam que a medida pode comprometer a rastreabilidade da produção rural, a confiança de compradores internacionais e o acesso do Brasil a mercados externos →

Análises
23 de outubro de 2026

O país que queremos construir passa pelos nossos parques

Reconhecer nossa vocação para o turismo de natureza é valorizar nosso patrimônio natural e transformá-lo em desenvolvimento sustentável →

Colunas
23 de outubro de 2026

Conservar a Amazônia exige cuidar de quem vive nela

A conservação ambiental somente se sustenta no longo prazo quando também melhora a vida das populações que habitam os territórios →

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.