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Mineração e petróleo avançam sobre Terras Indígenas, alerta levantamento da Coiab

Levantamento inédito da Coiab revela pressão acelerada de mineração, garimpo e petróleo sobre 32 milhões de hectares de Terras Indígenas na Amazônia

Karina Pinheiro ·
19 de novembro de 2025

Belém (PA) – A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) apresentou nesta época quarta-feira (19), durante a COP30, um levantamento inédito que revela a expansão acelerada da mineração, do garimpo e da exploração de petróleo e gás sobre Terras Indígenas na Bacia Amazônica. Segundo o estudo, mais de 113 mil processos minerários, 577 blocos de petróleo e gás e 32 milhões de hectares de TIs estão sob pressão direta dessas atividades, configurando um avanço crítico sobre ecossistemas de alta sensibilidade socioambiental.

Durante a apresentação, lideranças reforçaram que a crise climática exige respostas imediatas. “Se o governo brasileiro quer guiar o mundo numa transição energética, ele precisa declarar a Amazônia uma zona livre de combustíveis. Essa é a decisão que precisa ser tomada e digo mais: essa COP não tem que ser uma COP da verdade, porque a verdade nós já sabemos. Essa COP tem que ser uma COP da ação concreta”, afirmou Luene Karipuna, da Apoianp, que atua no monitoramento da exploração de petróleo na região.

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Os dados mostram que 2.527 Terras Indígenas apresentam algum grau de incidência de mineração, com o ouro liderando a lista dos minerais mais presentes. A Coiab também aponta impactos transfronteiriços, com avanço expressivo das atividades extrativas em Venezuela, Brasil, Peru, Guiana e Colômbia, incluindo áreas habitadas por povos isolados. Além da degradação ambiental, o estudo identifica contaminação por mercúrio, conflitos territoriais e riscos sanitários ampliados em regiões já vulneráveis.

Foto: Coiab.

Para os líderes indígenas, os impactos vão além da destruição ambiental. “A gente não tá pensando sobre essa geração, nós estamos pensando daqui a 100, 200, 300 anos, de conservar a água para que nossos filhos possam ter água potável, de conservar a floresta para ter ar natural e um solo sem contaminação”, declarou Edinho Macuxi,

Para as organizações indígenas, a expansão desses empreendimentos intensifica a perda de floresta primária, agrava secas e queimadas e ameaça territórios que desempenham papel estratégico para a estabilidade climática da Amazônia. Representantes da Pan-Amazônia estiveram presentes na coletiva, entre eles Edinho Macuxi (Coiab), Pablo Hernan (Opiac), Sirito Aloema (OIS), Valdemar Lins (Associação Yanomami) e Luene Karipuna (Apoianp),  para detalhar os dados e reforçar a urgência de mecanismos de proteção territorial mais eficazes.

  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos.

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