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MP pede embargo de mineradora por despejo de metais pesados em rio no Pará

Empresa é acusada de utilizar tubulação clandestina para jogar rejeitos nas nascentes do rio Muripi, em Barcarena. Laudo confirma contaminação de chumbo e outros metais

Sabrina Rodrigues ·
26 de fevereiro de 2018 · 4 anos atrás
 Hydro Alunorte. Foto: Roberto Ribeiro.

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE) pediram o embargo de uma das bacias de rejeitos da empresa norueguesa, Hydro Alunorte. A bacia em questão é a DRS2, que apresenta irregularidades no licenciamento ambiental. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está investigando o que ocasionou o vazamento, ocorrido no dia 18.

Para Laércio Abreu, promotor de Justiça do MPPA, não houve um processo de licenciamento específico pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) do Pará. “Na verdade, foi feito um aproveitamento do licenciamento originário. Isso é um ponto que vai ser enfrentado pelo MP e que, certamente, vai ter repercussões na forma de gestão e fiscalização da Semas”, disse.

Segunda a BBC Brasil, a empresa admitiu, após laudo do Instituto Evandro Chagas (IEC), que há uma tubulação clandestina na fábrica para despejo de resíduos sem tratamento. Essa tubulação cai nas nascentes do rio Muripi, em Barcarena (PA).

“Durante uma das vistorias, verificou-se a existência de uma tubulação com pequena vazão de água de coloração avermelhada na área da refinaria”, afirma a empresa em resposta à BBC. “Conforme solicitado pelas autoridades, a empresa está fazendo as investigações necessárias para identificar a origem e natureza do material, bem como realizando a imediata vedação desta tubulação”.

Não é a primeira vez que a Hydro Alunorte é acusada de lançar rejeitos no rio Muripi. Em 2009, o Ibama multou a empresa em R$ 17,1 milhões pelo ocorrido. A Hydro recorreu e até hoje a multa não foi paga.

 

Nova Mariana

No domingo (18), moradores vizinhos da fábrica do grupo norueguês denunciou a presença de lama vermelha nas águas em Barcarena (PA). A empresa passou dias negando, até um laudo do Instituto Evandro Chagas (IEC) confirmar a contaminação por chumbo e outros metais nas águas do município. Com a ajuda da Defesa Civil, a empresa começou a distribuir água potável nas comunidades de Vila Nova, Burajuba e Bom Futuro, locais afetados pelo vazamento. Em dois dias foram entregues 700 galões de água a 310 famílias. “As equipes estão em campo para mapear e identificar as necessidades das famílias que residem nesses locais e que tipo de impacto que elas podem ter sofrido”, afirma a Defesa Civil, em nota.

A refinaria afirma que está realizando monitoramento online de todo o processo e que informa diariamente à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade sobre os níveis das bacias. Afirma ainda que a produção de alumina na refinaria não foi impactada, e as vistorias internas e externas não constataram provas de transbordo ou vazamento dos depósitos de resíduos de bauxita na Hydro Alunorte.

A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade informa que está montada uma força-tarefa na região de 30 profissionais da saúde, entre agentes de endemias e de saúde, além de 16 assistentes sociais, agentes da Defesa Civil, entre outros profissionais do Estado e Município atuam nos últimos dias nas comunidades de Bom Futuro, Vila Nova e Burajuba.

 

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 2

  1. Paulo diz:

    Esta lambança, já mostrada ao povo noruegues, lá!


  2. Edvard Pereira diz:

    Os gringos chegam, se instalam, fazem o que bem quer (destroem, envenenam e matam) e fica tudo como se nada tivesse acontecido. Uma vergonha esse colonialismo do capital estrangeiro e a ineficiência de todos órgãos governamentais!