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Pesquisadores recomendam mudança no nome da varíola para evitar desinformação

Em carta, a Sociedade Brasileira de Primatologia recomenda o uso da nomenclatura “nova varíola” para evitar associação equivocada com macacos, que não são transmissores da doença

Duda Menegassi ·
8 de setembro de 2022 · 1 anos atrás

Enquanto organizações de saúde seguem alertas para novos casos de varíola – popularmente chamada “varíola dos macacos” – entidades científicas se unem para evitar a desinformação sobre a origem e transmissão da doença, que não está associada a macacos. Nesse esforço, a Sociedade Brasileira de Primatologia se uniu à Sociedade Brasileira de Virologia em carta aberta contra a retaliação aos macacos e recomendando a modificação do nome da doença, para ajudar a desmistificar a sua relação com os primatas.

“Sabemos que ter o nome “varíola dos macacos” vinculado à doença, mesmo que só em manchetes jornalísticas, vem gerando uma compreensão errônea por parte da população, levando a retaliações, perseguição, agressão e morte de primatas brasileiros”, aponta o documento.

Pesquisadores de diferentes países já submeteram à Organização Mundial de Saúde (OMS) uma carta com o pedido pela alteração na nomenclatura da doença. Ainda não houve, entretanto, um posicionamento da instituição em acatar a mudança sugerida. “Recomendamos fortemente que, enquanto a OMS não modificar oficialmente o nome “Varíola dos Macacos”, a doença seja denominada provisoriamente em todos os veículos de comunicação de “Nova Varíola””, pedem os pesquisadores. O documento pede também que fotos de macacos não sejam usadas em notícias sobre a doença.

“Uma associação errada, equivocada e infundada faz com que o nome da doença e do vírus indique os macacos como origem desta cepa viral. Em nota anterior, a Sociedade Brasileira de Primatologia já havia esclarecido que o surgimento do vírus se deu a partir de roedores silvestres”, contextualiza a carta aberta. A descoberta, entretanto, da doença, ocorreu a partir de amostras de macacos infectados em cativeiro, o que levou ao batismo do vírus como Monkeypox. Apesar disso, os primatas não são parte do ciclo de transmissão da doença, sendo vítimas assim como seres humanos da enfermidade.

Atualmente, o Brasil já registra mais de 5,5 mil casos confirmados da nova varíola, com duas mortes. A importação de vacinas contra a nova varíola – assim como o desenvolvimento de uma vacina nacional – já está em andamento, de acordo com o Ministério da Saúde.

A carta aberta reforça ainda o papel dos primatas como sentinelas sobre a presença e circulação de doenças no ambiente. “E, com isso, indicam a necessidade de executar ações de prevenção e controle, como por exemplo as campanhas de vacinação que trazem maior proteção para nós humanos”, explicam os pesquisadores.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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